O Canto da Floresta

Aldeia Huni Kuin Novo Segredo, Alto Rio Jordao, Acre-Amazzonia

Aldeia Huni Kuin Novo Segredo, Alto Rio Jordao, Acre-Amazzonia (Foto. @maurovillone)

Este artigo é a versão em português do que eu publiquei neste blog em italiano.

O século XVII foi para a Europa um período de transição e grandes mudanças, que levaram o mundo ocidental do Renascimento até a era do iluminismo. Um período também dramático, com eventos como a Guerra dos Trinta Anos, as últimas conseqüências da caça às bruxas após a Contrareforma, a abertura real da invasão das índias ocidentais, com as primeiras colônias no norte e no sul do novo continente. Mas também foi um período fundamental para o nascimento e desenvolvimento do novo método científico, baseado em observação, experimentação e abordagem analítica, previstas e praticadas por mentes como Copernicus, Descartes, Kepler, Galileo, que abriram o caminho para a próxima ciência newtoniana. O século XVIII então consagraria a supremacia da razão, com o advento do iluminismo e a sistematização do conhecimento.

Coisas maravilhosas. Mas as luzes da razão não impediram aos europeus, nos séculos seguintes, de continuar a colonizar, escravizar, explorar, destruir, dominar todo o planeta, em nome do desenvolvimento. A razão, justamente contrária à fé cega em dogmas arbitrários e uma multiplicidade de superstições, acabou por dividir-se com eles o poder sobre as mentes e, de fato, em uma surpreendente combinação de apoio mútuo, conseguindo justificar centenas de anos de horrores sem fim, como a escravidão, as revoluções, a repressão feroz, as guerras e os regimes totalitários, que vieram até hoje.

Enquanto isso, em nome do desenvolvimento, o homem conseguiu, no último século, entre outras coisas, criar uma tecnologia superior em relação a períodos anteriores, o que permitiu de viver, ao menos aparentemente, de maneira muito mais fácil no plano pratico. Prático, se for apenas para algumas partes da população, e aproveitando ferramentas extraordinárias como refrigerador, laptop, android, drones e o carro. Entre o final do século XX e o início do século XXI, vimos o triunfo da tecnologia, que até mesmo foi empurrada para a jurisdição biológica, com a genética, a robótica e as biotecnologias. Parece que o homem pode controlar e condicionar tudo.

Infelizmente, no entanto, as coisas não forom como se esperava. E a tecnologia triunfante não conseguiu prevenir mudanças climáticas, poluições fora do controle, o esgotamento de todos os tipos de recursos, da energia até alimentação. Mas, acima de tudo, não forneceu uma explicação sobre o significado da vida ou mesmo a sua origem, nem consegui explicar a origem do universo, e muito menos consegui fornecer luz aos seres humanos sobre como viver sua espiritualidade. Vivemos ainda na escuridão. Mas não só. A física quântica abriu abismos nas certezas de todos os séculos anteriores e até mesmo os mesmos cientistas, céticos no nível espiritual, reconhecem e declaram que a realidade e a matéria não são como elas aparecem.

Além das considerações filosóficas, em essência, o homem comum, bem como o cientista, os ricos como os pobres, não vivem tão bem na cultura ocidental. Porque as situações de conflito, manifestas ou não, tornaram-se insuportáveis, ou porque a situação financeira para muitos tornou-se insustentável, ou porque por muitas pessoas achar significado na vida é como procurar uma agulha em um palheiro, mas a substância é essa, ao contrário de algumas décadas atrás, não temos mais confiança na possibilidade de encontrar a felicidade apenas no nível material. Os jovens estão muito confusos e os adultos não passam melhor, digamos que estamos enfrentando uma crise epocal.

Enquanto isso, o mundo tecnológico continua a destruir tudo, como se nada tivesse acontecido. A Amazônia continua a ser desmatada, bem como outras áreas do planeta, e a bulimia energética, resultando em um aumento exponencial da poluição, parece não ter freios.

Tudo isso é acompanhado por uma espécie de revolução espiritual. Durante algumas décadas, um número crescente de indivíduos começarom a se fazer muitas perguntas sobre o significado da sua vida e há cada vez mais grupos e associações que estão procurando respostas ou, de forma mais modesta, até apenas a luz para encontrar uma direção e, por que não, uma felicidade mais profunda e verdadeira.

Ao mesmo tempo, tudo que é uma instituição certamente não abandona a fé na razão e na ideia idiota da “recuperação no consumo”.

Em todo o planeta, as últimas tragédias são consumidas e, em muitos lugares do mundo, os últimos paraísos são profundamente afetados pela ganância do sistema ocidental. A Amazônia é um desses lugares e lá estão ocorrendo, mesmo enquanto eu escrevo e outra pessoa lê essas linhas, massacres e genocídios contra os povos indígenas que viveram nessas terras há milhares de anos. Os nativos, alguns dos quais resistiram surpreendentemente a mais de quinhentos anos desde a primeira invasão européia, para o sistema ocidental são apenas um inconveniente irritante que simplesmente atrasa a possibilidade de explorar a terra, recursos de energia, alimentos e mineração.

O desmatamento esta progredindo mas, ao mesmo tempo, as populações ocidentais e indígenas entram em contato cada vez mais profundo entre elas. Há sete ou oito décadas, esses territórios e as suas culturas já estavam longe das maravilhas dos séculos anteriores, como explicava em seu livro “Tristes Tropicos”, nos anos ‘50, o grande antropólogo Levi Strauss, e hoje estão profundamente contaminados pela cultura ocidental, mesmo que ainda sejam extraordinariamente vitais. E os mais bem escolhidos entre os ocidentais, como os antropólogos, os viajantes e os intelectuais, se aproximaram desses mundos com as boas intenções de salvaguardá-los, ajudá-los, protegê-los. Em vez disso: Surpresa! Algumas populações que conseguiram, durante séculos, se retirarem no meio de uma floresta que ainda é parcialmente impenetrável, não só mantiveram os antigos costumes vivos, mas também conseguiram acessar mundos desconhecidos com uma tecnologia espiritual muito especial. São eles que podem ser uma ajuda para os ocidentais no nível espiritual.

A razão, na Europa, conseguiu chegar, quase um século atrás, conceber a existência de um aparelho imaterial do ser humano que eles chamavam de psique e investiga-la com técnicas chamadas psicanálise e psicologia analítica. Foi um grande passo que nos permitiu reavaliar a importância das emoções e dos sonhos durante muito tempo relegados aos mundos da superstição e da fantasia.

Algumas décadas depois, desde os anos 60, a beat generation, escritores como Kerouac, Castañeda, Ginsberg, cientistas como Hoffman, descobridor da molécula LSD, músicos e outros personagens abriram uma porta impensável: a multidimensionalidade da percepção. Mas foi apenas o começo.

Enquanto isso, no Brasil, onde, ao longo do século XX, continuavam se manifestar inumeros videntes e pessoas capazes de entrar em contato com os espíritos, uma figura surpreendente conhecida como Mestre Irineu, um pobre caboclo inteligente que viajava pelo país para encontrar trabalho ao longo dos anos vinte tinha acabado na Amazônia e tinha entrado em contato com grupos indígenas. Eles lhe deram uma bebida que consideravam sagrada permitindo o acesso a outros mundos onde podiam se encontrar espíritos, entidades, extraordinárias paisagens visuais e psíquicas. Eles a chamaram de Ayahuasca, cipò dos espiritos.

Mestre Irineu encontrou em uma ocasião um espírito feminino na floresta que começou a orientar seu crescimento espiritual. Mais tarde, fundou a Igreja do Santo Daime, uma mistura de crenças cristãs e práticas psíquicas indígenas, que cresceu até hoje se difundindo no mundo todo, incluindo a Europa. Mas não foi o único encontro do mundo ocidental com a medicina sagrada dos índios. Nas últimas décadas do século XX, viajantes, psicólogos e antropólogos, por suas vez, entraram em contato com Ayahuasca e entenderam que não era apenas um alucinógeno, mas uma substância natural que permitia entrar profundamente em contato consigo mesmo, para explorar o passado e o futuro, para ver a realidade a partir de milhares de posições diferentes, para ver coisas inconcebíveis que não correspondem ao mundo cotidiano. Mas, acima de tudo, com essa substância, podemos realmente curar, em particular doenças mentais, apegos de qualquer tipo, depressão, sensação de vazio e erradicação. Interessantes, a este respeito, os estudos de um grande psiquiatra tcheco, Stanislav Grof, que vem experimentando essa substância há décadas, com excelentes resultados.

Mas o ponto é realmente outro. Os nativos que, durante séculos, se retiraram na floresta, apesar dos ataques, massacres e escravidão feitos pelos brancos conseguiram não só manter costumes milenares cujas origens se perdem na noite dos tempos, mas também para viver em profunda harmonia consigo mesmo, com os outros e com o ambiente natural, mas há mais. Seu conhecimento da psique, das plantas, do ambiente é, de certa forma, extremamente superior ao dos acadêmicos ocidentais, por mais respeitável que seja. A razão está no fato de que os indivíduos das sociedades naturais não “observam” e não “analisam” a realidade, mas a vivem na sua própria pele, percebendo-a de maneiras diferentes, ligadas a paradigmas completamente diferentes daqueles dos ocidentais. Conhecer estes paradigmas  ira abrir um discurso hiperbólico, mas è suficiente pensar como simplesmente, apenas para fazer alguns exemplos, eles não concebem a posse de nada ou a ausência de um espírito para subtender qualquer elemento natural, para entender como você enfrenta uma visão do cosmo totalmente diferente da nossa, mas pelo menos igualmente consistente, uma vez que a vida deles é, sem dúvida, mais feliz daquela dos ocidentais urbanizados.

E aqui está a surpresa. Os pobres indígenas precisam sim de ajuda material e apoio para a proteção de seus direitos, mas pelo contrário, eles parecem ser de grande ajuda para os ocidentais. Nas últimas décadas isso já aconteceu e há muitos ocidentais que começaram a se beneficiar da ajuda espiritual dos nativos. Nos últimos quinze anos, grupos de pessoas reuniram-se para ter um intercâmbio material, cultural e espiritual com os nativos com grande benefício em ambos os lados.

Está acontecendo no Brasil, também no Peru, mas de maneiras diferentes em muitos outros países, no mundo todo.

A experiência brasileira é muito incisiva e trouxe muitos pesquisadores espirituais brasileiros e doutros paises em contato com indigenos do Acre, Amazônia, Pernambuco, Minas Gerais e outros estados. Em particular, no estado do Acre, na extrema parte sul da Amazônia brasileira, dois povos estabeleceram um vínculo privilegiado com o Ocidente. Os Huni Kuin e os Yawanawà.

Ambos conhecedores profundos de plantas tropicais que podem usar para inúmeras necessidades de cura. Mas é a abordagem no relacionamento com as plantas que é totalmente diferente do ocidental. Para eles, as plantas não são apenas plantas, mas a materialização dos espíritos sagrados que se devem respeitar e amar, e que pontualmente devolvem amor aos humanos. A figura complexa do xamã, aquele que trabalha com remédios e com as almas, fala, mas acima de tudo, canta para plantas, talvez durante uma noite inteira. Ele ama as plantas profundamente, nelas há tudo, como tudo também está no ser humano. A cura não é atacar um mal, mas restabelecer a harmonia com o amor. A planta cura se seu espírito amará o ser humano doente. E isso acontece tanto a nível físico quanto psíquico.

Entre essas plantas e misturas de plantas, há também a Ayahuasca, medicina sagrada. Uma mistura de duas plantas, um arbusto de folhas largas e um cipò  lenhoso e outros aditivos vegetais variáveis.

Ninguém é capaz de explicar como, há milênios e milênios, os habitantes das florestas conseguiram descobrir que duas plantas muito diferentes, misturadas e cozidas, poderiam produzir uma bebida com efeitos chocantes que abriram as portas da percepção em outro mundo, talvez muito maior do que de todos os dias. As duas plantas tomadas sozinhas não têm nenhum efeito. Os índios afirmam que a fórmula da mistura sagrada foi transmitida para eles, na noite dos tempos, pela Jiboia, a anaconda sagrada, que muitas vezes aparece em visões durante a jornada com a medicina.

Mas acima de tudo é interessante o uso que eles podem fazer com isso. Um veículo para harmonizar consigo mesmo, com os outros, com a vida e com o cosmo, mudando constantemente, em equilíbrio recíproco variável e móvel, enfrentando também sacrifícios e desafios e dando-lhes um profundo senso de felicidade e satisfação.

A ingestão da bebida é quase sempre cerimonial e nas cerimônias é de grande importância, juntamente com outros elementos como o fogo e a unidade do grupo, o som. É assim que os icaros, cantos sagrados cerimoniais que o Grande Espírito, diretamente ou através de outras entidades, transmitiu aos Pajés, os Xamãs, nasceram há milênios e milênios atrás.

Uma cerimônia de Ayahuasca é um ato de amor para si, outros, a floresta, o cosmo, não tem nada a ver com a religião, é espiritualidade natural, tem ainda menos a ver com “alucinações”. A meditação é fundamental, mas o ponto focal não é pedir algo, adorar um ícone, submeter-se a um ministro de culto, mas entrar em harmonia com o Todo. Essa harmonia é total, sem necessariamente prescindir das necessidades diárias, das maravilhas da tecnologia, ou de qualquer outra coisa, simplesmente leva a agir para se coordenar com o mundo, mas sempre com amor, o mais importante de tudo.

Mas é necessário falar sobre um tópico crucial. Por que os nativos tiveram a pior no choque com o mundo ocidental? É uma questão legítima que abre um discurso que talvez não tem fim e que alguns antropólogos também se tenham perguntado. As respostas podem, portanto, ser muitas, mas não se deve excluir que fosse necessário, de alguma forma, chegar à situação de hoje em que dois mundos substancialmente diferentes são comparados. Se o homem ocidental destrui completamente as sociedades naturais, mais cedo ou mais tarde ele se encontrará com nada na mão e pronto para ir para a destruição sem ninguem quem pudesse mostrar-lhe uma maneira de se conectar harmoniosamente com a natureza. Outra hipótese poderia ver uma colaboração frutuosa entre a razão e o espírito que poderia abrir cenários até agora inimagináveis. É interessante notar como a civilização tecnológica, após três mil anos de história, se reúne praticamente com a pré-história, ou pelo menos com algo erroneamente conhecido como “pré-história”, e provavelmente, em vez disso, uma “história” muito muito antiga e ainda muito pouco conhecida.

O encontro com os nativos não é a panacéia, mas um elemento crucial, essencial e estratégico. Não tem nada a ver com a competição entre religiões, que também contém elementos profundos e importantes, mas tem a ver com o desenvolvimento da consciência. Elementos de diferentes espiritualidades podem se integrar maravilhosamente. Tudo é Um.

Os Cantos dos Pajés são fundamentais para levar os participantes a uma cerimônia para paisagens divinas, onde é possível “ver” a propria vida. Os cantos dos Huni Kuin e Yawanawà, ambos grupos de grande musicalidade, são profundos e sobrenaturais. Aqueles dos estes últimos são talvez aqueles que se prestam a viver sua própria vida não necessariamente ligados a uma cerimônia. Ao mesmo tempo, uma performance fora do contexto de uma cerimônia ainda contém elementos de sacralidade e teria o propósito nobre de levar o grito, a música da floresta, a uma ampla audiência.

Esses povos são “Guardiões da Floresta”, como também é chamado o grupo que inclui jovens brasileiros e adultos que interagem com os nativos.

O canto da floresta è o grito do Grande Espírito que, como um vulcão em erupção, pressiona das profundezas da terra para entrar nos corações dos humanos. Chegou a hora de abrir o coração e voltar a ouvir para viver verdadeiramente o que de mítico e profundo ainda podemos encontrar em uma existência moderna.

Mauro Villone

 

Il Canto della foresta

Aldeia Huni Kuin Novo Segredo, Alto Rio Jordao, Acre-Amazzonia

Aldeia Huni Kuin Novo Segredo, Alto Rio Jordao, Acre-Amazzonia (Ph. @mvillone)

Il XVII secolo fu per l’Europa un periodo di transizione e di grandi cambiamenti, che traghettarono il mondo occidentale dal rinascimento all’età dei lumi. Un periodo anche drammatico, con accadimenti quali la guerra dei trent’anni, gli ultimi strascichi della caccia alle streghe dopo la Controriforma, la vera e propria apertura dell’invasione delle indie occidentali, con le prime colonie nel nord e nel sud del nuovo continente. Ma fu un periodo fondamentale anche per la nascita e lo sviluppo del nuovo metodo scientifico, basato sull’osservazione, sulla sperimentazione e sull’approccio analitico, prospettato e praticato da menti come quelle di Copernico, Descartes, Keplero, Galileo, i quali aprirono la strada alla successiva scienza newtoniana. Il XVIII secolo avrebbe poi sancito la supremazia della ragione, con l’avvento dell’illuminismo e della sistematizzazione del sapere.

Cose magnifiche. Ma i lumi della ragione non impedirono agli europei, nei secoli successivi, di continuare a colonizzare, schiavizzare, sfruttare, devastare, distruggere, imperare su tutto il pianeta, nel nome dello sviluppo. La ragione, giustamente contrapposta alla fede cieca in dogmi arbitrari e a una pletora di superstizioni, aveva poi finito con lo spartirsi con esse il potere sulle menti e, anzi, in una sorprendente combinazione di reciproci sostegni, riuscire a giustificare centinaia d’anni di orrori senza fine, come la schiavitù, le rivoluzioni, le feroci repressioni, le guerre e poi i regimi totalitari, che sono giunti fino ai giorni nostri.

Nel frattempo, nel nome dello sviluppo, l’uomo è riuscito nell’ultimo secolo, tra le altre cose, a creare una tecnologia sopraffina rispetto ai periodi precedenti, la quale ha permesso di vivere, almeno apparentemente, in maniera molto più agevole sul piano pratico, se non altro per alcune fasce di popolazione, e a usufruire di strumenti straordinari come per esempio il frigorifero, il laptop, l’android, i droni e l’automobile. Tra la fine del XX secolo e l’inizio del XXI abbiamo visto il trionfo della tecnologia, che si è spinta persino all’interno della giurisdizione biologica, con la genetica, la robotica, e le biotecnologie. L’uomo può controllare e condizionare tutto, sembrerebbe.

Purtroppo le cose non sono però andate proprio come si sperava. E la trionfante tecnologia non è riuscita a impedire il cambiamento climatico, la polluzione fuori controllo, il depauperamento di ogni tipo di risorsa, da quelle energetiche a quelle alimentari. Ma soprattutto non è riuscita a fornire una spiegazione sul senso della vita e nemmeno sulla sua origine, né a spiegare l’origine dell’universo, men che meno a fornire lumi agli esseri umani su come vivere la propria spiritualità. Si brancola nel buio. Ma non solo. La fisica quantistica ha aperto delle voragini nelle certezze di tutti i secoli precedenti e persino gli stessi scienziati, scettici sul piano spirituale, riconoscono e dichiarano che la realtà e la materia non sono affatto come appaiono.

Al di là delle considerazioni filosofiche, in sostanza, l’uomo medio così come lo scienziato, il ricco come il povero, non vivono affatto così bene nella cultura occidentale. Vuoi perché le situazioni di conflitto, manifeste o meno, sono diventate insopportabili, vuoi perché la situazione finanziaria per molti è diventata insostenibile, vuoi perché per moltissimi trovare un senso nella vita è come cercare un ago in un pagliaio, ma la sostanza è che, a differenza di pochi decenni fa, non si è più così fiduciosi nella possibilità di trovare felicità solo sul piano materiale. I giovani sono molto disorientati e gli adulti non è che se la passino meglio, diciamo pure che ci troviamo di fronte a una crisi epocale.

Nel frattempo il mondo tecnologico continua a macinare tutto, come se niente fosse. L’Amazzonia continua ad essere deforestata selvaggiamente, così come altre aree del pianeta, e la bulimia energetica, con conseguente aumento esponenziale della polluzione, sembra non avere freni.

A tutto questo si va affiancando una sorta di rivoluzione spirituale. Da alcuni decenni un numero sempre maggiore di individui si fa moltissime domande sul senso della propria vita e sono sempre più numerosi i gruppi e le associazioni che cercano risposte o, più modestamente, anche solo dei lumi per trovare una direzione e, perché no, una felicità più profonda e vera.

Contemporaneamente tutto ciò che è istituzione di sicuro non abbandona la fede nella ragione e nella ormai demenziale “ripresa dei consumi”.

Ai confini del pianeta intanto si consumano le ultime tragedie e in diversi posti del mondo gli ultimi paradisi sono intaccati profondamente dall’avidità del sistema occidentale. L’Amazzonia è uno di questi posti e lì stanno avendo luogo, anche mentre io sto scrivendo e qualcun altro legge queste righe, massacri e genocidi ai danni delle popolazioni indigene che da millenni hanno abitato in quelle terre. Gli indigeni, alcuni dei quali hanno sorprendentemente resistito più di cinquecento anni dalla prima invasione europea, per il sistema occidentale sono solo un fastidioso incomodo che ritarda semplicemente la possibilità di sfruttamento di territorio, risorse energetiche, alimentari, minerarie.

La deforestazione avanza e nello stesso tempo popolazioni occidentali e indigene entrano in contatto sempre più profondo. Sette o otto decenni fa questi territori e le culture che vi appartenevano erano già lontani dalle meraviglie dei secoli precedenti, come spiegava nel suo libro “Tristi Tropici”, negli anni ’50, il grande antropologo Levi Strauss, oggi sono profondamente contaminati dalla cultura occidentale, anche se ancora straordinariamente vitali. E i più ben disposti tra gli occidentali, come per esempio antropologi, viaggiatori e intellettuali si sono avvicinati a questi mondi con le bonarie intenzioni di salvaguardarli, aiutarli, proteggerli. E invece: Sorpresa! Alcune popolazioni che sono riuscite per secoli a ritirarsi nel folto di una foresta ancora oggi in parte impenetrabile, non solo hanno mantenuto in vita costumi antichissimi, ma si sono rivelati in grado di accedere, con una tecnologia spirituale molto particolare, a mondi sconosciuti. Sono essi che possono rivelarsi un aiuto per gli occidentali sul piano spirituale.

La ragione in Europa era riuscita ad arrivare, quasi un secolo fa, a concepire l’esistenza di un apparato immateriale dell’essere umano che chiamarono psiche e a indagarlo con tecniche chiamate psicoanalisi e psicologia analitica. Fu un grande passo che permise di rivalutare l’importanza di emozioni e sogni per lungo tempo relegati nei mondi della superstizione e della fantasia.

Alcuni decenni dopo, a partire dagli anni ’60, la beat generation, scrittori come Kerouac, Castañeda, Ginsberg, scienziati come Hoffman, scopritore della molecola dell’LSD, musicisti e altri personaggi aprirono uno scrigno impensabile: la multidimensionalità della percezione. Ma era solo l’inizio.

Nel frattempo in Brasile, dove nel corso del XX secolo continuavano a manifestarsi pletore di veggenti e persone in grado di entrare in contatto con gli spiriti, un personaggio sorprendente conosciuto come Mestre Irineu, un povero meticcio intelligente che girava il paese per trovare lavoro negli anni venti era finito in Amazzonia ed era entrato in contatto con gruppi di indigeni. Questi gli avevano dato da bere una sostanza che consideravano sacra e che dava accesso ad altri mondi dove si potevano incontrare spiriti, entità, straordinari paesaggi visuali e psichici. La chiamavano Ayahuasca, liana degli spiriti.

Mestre Irineu incontrò in una di quelle occasioni uno spirito femminile nella foresta che cominciò a guidare la sua crescita spirituale. In seguito fondò la chiesa del Santo Daime, una commistione di credo cristiano e di pratiche psichiche indigene, che crebbe fino ad avere oggi una certa diffusione in tutto il mondo, Europa inclusa. Ma non fu l’unico incontro del mondo occidentale con la medicina sacra degli indios. Negli ultimi decenni del XX secolo viaggiatori, psicologi e antropologi erano entrati a loro volta in contatto con l’Ayahuasca e avevano compreso che non si trattava solo di un allucinogeno, bensì di una sostanza naturale che permetteva di entrare profondamente in contatto con se stessi, esplorare il passato e il futuro, vedere la realtà da migliaia di posizioni diverse, vedere cose inconcepibili, che non avevano un corrispettivo nel mondo di tutti i giorni. Ma soprattutto con questa sostanza si poteva davvero curare, in particolare malattie e disagi psichici, attaccamenti di qualsiasi tipo, depressione, senso di vuoto e di sradicamento. Interessantissimi, al riguardo, gli studi di un grande psicologo, Stanislav Grof, che sperimentò terapie con questa sostanza per decenni, con ottimi risultati.

Ma il punto in realtà è un altro. Gli indigeni che per secoli si erano ritirati nella foresta, nonostante gli attacchi da parte dei bianchi, i massacri e la schiavitù, erano, anzi sono riusciti non solo a mantenere costumi millenari la cui origine si perde nella notte dei tempi, ma anche a vivere in profonda armonia con se stessi, con gli altri e con l’ambiente naturale, ma c’è di più. La loro conoscenza della psiche, delle piante, dell’ambiente è, per certi versi, enormemente superiore a quella accademica degli occidentali, per quanto questa possa essere di tutto rispetto. La ragione si trova nel fatto che gli individui delle società naturali non “osservano” e non “analizzano” la realtà, bensì la vivono sulla propria pelle, percependola in maniere differenti legate a paradigmi completamente diversi da quelli degli occidentali. Quali siano questi paradigmi apre un discorso iperbolico, ma basti pensare come semplicemente, solo per fare un paio di esempi, essi non concepiscano il possesso di qualsiasi cosa né l’assenza di uno spirito a sottendere qualsiasi elemento naturale, per rendersi conto di come ci si trovi di fronte a una visione del cosmo totalmente diversa dalla nostra, ma per lo meno altrettanto coerente, visto che la loro vita è senza dubbio più felice di quella degli occidentali urbanizzati.

E proprio qui sta la sorpresa. I poveri indigeni hanno bisogno sì di aiuto materiale e di sostegno per la salvaguardia dei loro diritti, ma per contro sembrerebbero in grado di essere di grande aiuto agli occidentali. Negli ultimi decenni questo è già avvenuto e sono numerosi gli occidentali che hanno cominciato a beneficiare dell’aiuto spirituale degli indigeni. Negli ultimi quindici anni si sono aggregati gruppi di persone che operano uno scambio materiale, culturale e spirituale con gli indigeni con grande beneficio da una parte e dall’altra.

Sta avvenendo in Brasile, in Perù, ma con modalità diverse in molti altri paesi, in tutto il mondo.

L’esperienza brasiliana è molto incisiva e ha portato molti ricercatori spirituali brasiliani e di altri paesi in contatto con tribù dell’Acre, dell’Amazzonia, del Pernambuco, del Minas Gerais e altri stati. In particolare nello stato dell’Acre, l’estrema parte sud dell’amazzonia brasiliana, due popoli hanno stretto un legame privilegiato con l’occidente. Gli Huni Kuin e gli Yawanawà.

Ambedue profondi conoscitori delle piante tropicali che sanno usare per innumerevoli necessità di cura. Ma è l’approccio nel rapporto con le piante che è totalmente diverso da quello occidentale. Per loro le piante non sono solo dei vegetali, bensì la materializzazione di spiriti sacri ai quali è dovuto rispetto e amore, puntualmente ricambiato dalle piante stesse. La complessa figura dello sciamano, colui che opera con la medicina e con l’anima, parla, ma soprattutto canta alle piante, magari per una notte intera. Ama profondamente le piante, in esse c’è tutto, come tutto è anche nell’essere umano. La cura non è aggredire un male, bensì ristabilire un’armonia con l’amore. La pianta cura se il suo spirito amerà l’essere umano ammalato. E questo avviene sia sul piano fisico che psichico.

Tra queste piante e miscele di piante c’è anche l’Ayahuasca, la medicina delle medicine, sacra. Una miscela di due piante, un arbusto a foglie larghe e una liana legnosa e altri additivi vegetali variabili.

Nessuno è in grado di spiegare come millenni e millenni orsono degli abitanti delle foreste abbiano potuto scoprire che due piante diversissime miscelate tra loro e cotte potessero produrre una bevanda dagli effetti sconvolgenti che apriva le porte della percezione su un altro mondo, forse molto più vasto di quello di tutti i giorni. Le due piante assunte da sole non sortiscono alcun effetto. Gli indios sostengono che la formula della miscela sacra venne trasmessa loro, nella notte dei tempi, dalla Jiboia, l’anaconda sacro, che appare spesso nelle visioni durante i viaggio con la medicina.

Ma soprattutto è interessante l’uso che riescono a farne. Un veicolo per armonizzarsi con se stessi, con gli altri, con la vita e con il cosmo, mutando in continuazione, in un equilibrio reciproco variabile e mobile, anche affrontando sacrifici e sfide e che da loro un profondo senso di felicità e di compimento.

L’assunzione della bevanda quasi sempre è cerimoniale e nelle cerimonie assume grande importanza, insieme ad altri elementi come il fuoco e l’unità del gruppo, il suono. Nascono così, già millenni e millenni fa gli icaros, canti sacri cerimoniali che il Grande Spirito, direttamente o attraverso altre entità, ha trasmesso ai Pajé, gli Sciamani.

Una cerimonia Ayahuasca è un atto d’amore per se stessi, gli altri, la foresta, il cosmo, non ha niente a che vedere con la religione, è spiritualità naturale, ha ancora meno a che vedere con semplici “allucinazioni”. La meditazione è fondamentale, ma il punto focale non è chiedere qualcosa, adorare un’icona, sottomettersi a un ministro di culto, bensì entrare in armonia con il Tutto. Tale armonia è totale, poiché non prescinde dalle necessità quotidiane, dalle meraviglie della tecnologia, né da qualsiasi altra cosa, semplicemente porta ad agire per coordinarsi con il mondo, ma sempre con amore, la cosa più importante di tutte.

A questo punto è necessario parlare di un tema cruciale. Perché gli indigeni hanno avuto la peggio nello scontro con il mondo occidentale? È un interrogativo lecito che apre un discorso che forse potrebbe non avere fine e che si sono posti anche alcuni antropologi. Le risposte potrebbero dunque essere molteplici, ma non è da escludere che fosse in qualche modo necessario arrivare alla situazione odierna dove si confrontano due mondi sostanzialmente diversi. Se l’uomo occidentale distruggerà del tutto le società naturali si troverà prima o poi anch’esso con un pugno di mosche in mano ad andare verso la distruzione senza nessuno che potrebbe indicargli una via per relazionarsi armonicamente con la natura. Un’altra ipotesi vedrebbe invece una proficua collaborazione tra la ragione e lo spirito la quale potrebbe aprire scenari finora inimmaginabili. Interessante notare come la civiltà tecnologica, dopo tremila anni di storia, si incontri praticamente con la preistoria, o comunque con qualcosa di erroneamente conosciuto come “preistoria”, e probabilmente invece una “storia” molto antica, antichissima e tuttora molto poco conosciuta.

L’incontro con gli indigeni non è il toccasana, bensì un elemento cruciale, imprescindibile e strategico. Non ha nulla a che fare con la competizione tra religioni, le quali contengono tutte elementi profondi e importanti, ha a che fare con lo sviluppo della coscienza e della consapevolezza. Gli elementi di diverse spiritualità possono integrarsi a vicenda meravigliosamente. Tutto è uno.

I canti dei Pajé sono fondamentali per traghettare i partecipanti a una cerimonia verso paesaggi divini dove è possibile “vedere” la propria vita. I canti sia degli Huni Kuin che degli Yawanawà, ambedue i gruppi dotati di grande musicalità, sono profondi e soprannaturali. Quelli di questi ultimi sono forse quelli che più si prestano a vivere di vita propria, non necessariamente legati a una cerimonia. Allo stesso tempo una performance al di fuori del contesto di una cerimonia conterrebbe comunque elementi di sacralità e avrebbe il nobile scopo di portare a un vasto pubblico il grido, il canto della foresta.

Questi popoli sono “Guardiani della Foresta”, come viene chiamato anche il gruppo di cui fanno parte giovani e adulti brasiliani che interagiscono con gli indigeni. Tutti insieme si lotta affinché le foreste, ultimo baluardo di un altro mondo, pervaso di sacralità, possano sopravvivere e continuare a nutrire di energia la terra e tutti gli esseri che la abitano.

Il canto della foresta è il grido del Grande Spirito che, come un vulcano in eruzione, preme dalle profondità della terra per entrare nei cuori degli umani. È arrivato il momento di aprire il cuore e mettersi in ascolto per tornare a vivere veramente quello che ancora di mitico e profondo possiamo trovare in un’esistenza moderna.

FESTIVAL YAWANAWA’ youtube

VIDEO CLIP YAWANAWA’

Scuola Sciamanica dal Brasile

Carlos Sauer durante una cerimonia

Carlos Sauer durante una cerimonia

La nostra sede Para Ti ONG si trova a Rio dove operiamo da 25 anni con un doposcuola e diverse attività per bambini poveri delle favelas e le loro famiglie.

Info: www.parationg.org.

Da diversi anni operiamo anche con tribù indigene con diverse altre attività di sostegno logistico e di ricerca antropologica, antropologia visuale, ricerca spirituale, partecipazione a cerimonie, comunicazione.

Dal 2016 portiamo in Italia lo sciamano brasiliano Carlos Sauer, con il quale abbiamo organizzato a Torino cerimonie di cura con canti e tamburi, workshop di sciamanismo e sedute di cura private. Info: http://www.unaltrosguardo.it/2017/07/filosofia-sciamanica-carlos-sauer-in-italia.html.

Sempre dal 2016 realizziamo conferenze show con proiezione di immagini commentate dall’autore o con commento musicale. Teniamo workshop e corsi nelle scuole dalle elementari all’università.

Dal 2017 siamo al lavoro per portare piccoli gruppi indigeni in Italia per cerimonie e spettacoli di cantoria. Yawanawà, Huni Kuin, Fulni-o.

 

Le nostre proposte sono le seguenti.

 

Cerimonia serale intorno al fuoco sacro con canti e tamburi.

Workshop di 1 o 2 giorni di sciamanismo.

Costruzione del tamburo sciamanico e iniziazione del tamburo

Costruzione di tenda del sudore

Cerimonia di tenda del sudore

Conferenze sullo sciamanismo

Conferenze con proiezione di immagini

Cerimonia sacra con Yawanawà

Cantoria Yawanawà

 

Sia Carlos Sauer che le tribù indigene sono ai massimi livelli mondiali come qualità e originalità delle proposte.

 

Info. unaltrosguardo@libero.it   W.app: 00393487299033

 

 

 

Ritorno alla natura

Brasil

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Siamo comunemente portati a pensare che il mondo stia andando a rotoli e non ci sia stato nessun periodo peggiore di questo in precedenza. In realtà un’attenta lettura della storia, sia macro che micro, ci potrebbe portare a vedere che non è affatto vero, non è proprio così. Ci sono stati periodi ben peggiori di questo con i loro orrori e i loro mostri. Basti pensare alle guerre mondiali, al fascismo e al nazismo, alle torture medioevali, all’inquisizione, alle crocefissioni romane, tanto per citare alcuni tra gli esempi più eclatanti. Ma, molto più semplicemente, i precedenti secoli di storia sono stati un susseguirsi di schiavitù, oscurantismi e privazioni senza fine.

Detto questo sicuramente occorre essere coscienti del fatto che oggi siamo di fronte a una profonda crisi di valori, economica, politica, spirituale e sociale. Oltre a ciò ci stiamo avvicinando a grandi passi verso una crisi energetica e idrica senza precedenti, senza contare che le disuguaglianze sono sempre più marcate e oltre un miliardo di persone sul pianeta soffre la fame mentre, in generale, i diritti umani non sono affatto rispettati per larghe fasce della popolazione mondiale.

Ma ci sono anche aspetti positivi. In generale il livello di coscienza globale si sta alzando, sebbene la quantità percentuale di mostri all’interno dell’umanità sia senza dubbio troppo elevata. Si sono però incarnati sul pianeta nuovi esseri, quelli che vengono chiamati “indaco” e “cristallo”. Moltissima gente cerca pace e amore e moltissimi si sono attivati concretamente per creare nuove opportunità di vita alternativa, per esplorare nuovi orizzonti, per affrancarsi dalla schiavitù che i sistemi capitalisti e collettivisti impongono, senza differenza alcuna tra l’uno e l’altro.

È in atto un generale risveglio nel quale moltissima gente si è resa conto che “così non si può andare avanti”. Mai come oggi è stata presente a livello globale la consapevolezza che occorre rivalutare il feminino, la sacralità, la natura, le relazioni umane, la bellezza della quotidianità.

In pratica sta crescendo un diffuso sentimento di amore per una vita diversa e una diversa concezione del proprio Sé, meno egoica e più profonda.

Tutto questo è difficile da sintetizzare, ma possiamo riassumerlo, con buona approssimazione, nel desiderio di riavvicinarsi alla natura, sebbene in parte compromessa, e a ritmi di vita ben più naturali.

In questo le culture e le società naturali ancora esistenti possono venirci in aiuto. Di certo anch’esse sono tutt’altro che scevre da problemi e presentano senza dubbio le loro lacune, ma hanno il pregio di poter trasmettere ad altri un profondo amore per la natura e per una vita comunitaria e di relazione basata su profonde radici comuni con altri esseri, umani e non.

L'autore con Ari-tan, capo di un gruppo di Fulni-o. Mio pittore corporale, artista e danzatore al quale offro la mia più profonda gratitudine per avermi fatto scoprire il mio grido di combattimento.

L’autore con Ari-tan, capo di un gruppo di Fulni-o. Mio pittore corporale, artista e danzatore al quale offro la mia più profonda gratitudine per avermi fatto scoprire il mio grido di combattimento.

Di società naturali sul pianeta se ne trovano tutto sommato ancora parecchie, un po’ in ogni dove. Australia, India, Africa, Stati Uniti, Canada, Messico, Sudamerica, Asia. Se ne trovano in ogni angolo del mondo. Avvicinarle non è semplice e oltretutto può essere molto pericoloso soprattutto per loro. Ma senza dubbio può aiutare molto i poveri occidentali del tutto disorientati e che non ne possono più delle meraviglie del consumismo, del capitalismo e del comunismo.

La mia esperienza personale non si limita al Brasile poiché ho avuto a che fare con culture naturali in Africa e Asia prima di finire in questo paese, ma è in Brasile che ho approfondito maggiormente le relazioni con alcuni di loro.

In linea generale nel corso del ‘900 le culture naturali sono state considerate dalla maggior parte di studiosi e intellettuali come “primitive” e “selvagge”, portatrici di conoscenze antiche di grande valore sul piano tecnico per lo studio dell’evoluzione umana, osservata da un punto di vista darwiniano. Solo alcuni, come per esempio il grande studioso di storia delle religioni Mircea Eliade, la pensavano diversamente. All’inizio della seconda metà del XX secolo egli sosteneva, tra le altre cose, che non bastava più osservare le arti africana e oceaniana come qualcosa di curioso e interessante, ma occorreva cominciare a riscoprire le radici di quelle arti.

Molti antropologi e psicologi del ‘900 hanno considerato i popoli che vivevano a stretto contatto con la natura un ottimo laboratorio per scoprire cose che avessero a che fare perlopiù con il passato dell’umanità, ora evolutasi nella meravigliosa cultura tecnologica.

In generale la cultura accademica vede ancora oggi le cose in questo modo, ma è in sensibile aumento la quantità di persone, intellettuali, studiosi, ricercatori, gente comune che si è resa conto di come in realtà le conoscenze dei popoli naturali siano non solo profonde, vaste e antichissime, ma anche di grande utilità sul piano pratico.

Tali conoscenze sono relative all’uso alimentare e farmacologico di erbe, piante e frutti, al rapporto con la natura e all’interazione con il mondo delle energie sottili, che hanno a che vedere con gli spiriti, gli antenati, la psicologia del profondo, e tutto quello che costituisce l’essenza della vita e che non si può “vedere” direttamente né “misurare” in alcun modo.

Queste conoscenze hanno risvolti pratici incommensurabili per ragioni semplicissime, nemmeno troppo magiche. Erbe e piante, banalmente, contengono principi attivi che la stessa chimica e farmacologia riconoscono avere effetti tangibili sul corpo umano. Unica differenza, fondamentale, tra la farmacopea indigena e quella tecnologica, il fatto che quest’ultima utilizza sostanze o combinazioni di sostanze sintetizzate in laboratorio, attentamente calibrate, mentre la prima utilizza composti naturali formati da decine e centinaia di componenti, mescolati alchemicamente dalla natura insieme a energie sottili impossibili da misurare e isolare.

Gli indigeni inoltre sono “capaci” di aver a che fare con la natura in maniera armonica e sono le persone più indicate per la gestione e la salvaguardia del traballante patrimonio naturale del pianeta.

Mentre si trova inoltre nel loro ambiente culturale una quantità di conoscenze artistiche, psicologiche, comportamentali, spirituali, che va a costituire un “corpus” di informazioni articolate, utile, o forse addirittura imprescindibile, per l’indagine e la cura di corpo, mente, spirito e relazioni. Si tratta di un insieme di conoscenze profondo, antico, articolato e complesso, legato a una visione del cosmo fondamentalmente diversa da quella suggerita dall’utilizzo della ragione da sola.

In particolare gli indios hanno la capacità di “sentire” profondamente la materia, l’essere, le cose, senza limitarsi a “osservarle” e “analizzarle”, bensì “sentendole” nel corpo, sulla pelle, nella mente e nell’anima. Nella visione indigena non esiste separazione tra spirito e materia, razionale e irrazionale, veglia e sogno, io e gli altri, vita e morte. Tutto è Uno e tutto è un insieme che non può essere scansionato e analizzato, ma può solo essere vissuto. L’osservare indigeno si manifesta in un mix di osservazione e abbandono. E ciò che si osserva non ha tre dimensioni più il tempo, bensì sembrerebbe essere quello che la fisica quantistica oggi ipotizza: un ologramma atemporale dove i fenomeni e i noumeni sono indivisibili e non-locali.

Tutto questo non li rende necessariamente migliori, sono afflitti anch’essi, ovviamente, da tanti problemi. Ma la loro “strategia”, se così possiamo chiamarla, li ha fatti sopravvivere per 10.000 anni, e in una condizione generalmente di maggiore armonia con l’ambiente esterno, che sia la foresta o che sia il cosmo intero, inclusa l’energia e tutto quanto possa esserci e non si possa vedere. Molto spesso la loro visione scarseggia o è totalmente priva di razionalità, il che non li rende adatti all’analisi e alla pianificazione strategica e nemmeno alla formalizzazione di un pensiero lineare. D’altra parte sono in qualche modo più “capaci” di “esistere” felicemente e di “sentire” di essere in relazione con tutto indipendentemente dal tempo. Più facile per loro “ritualizzare” anziché scansionare e ordinare. Mentre l’osservatore razionale occidentale sa analizzare, scansionare, creare relazioni dialettiche che, spesso, portano a scrivere fiumi di parole, libri interi, addirittura creare scuole accademiche secolari, mentre fatica semplicemente a “vivere”, come fa un indigeno, godendo profondamente, nell’attimo, di ciò di cui si sente parte, che magari non “capisce”, ma che in qualche modo “conosce”.

Molto spesso gli scritti di noi occidentali possono sembrare dotti e interessanti, ma visti con un altro sguardo, a volte, francamente delle seghe mentali senza fine.

L’uomo comune occidentale ha sviluppato una coscienza basata sull’osservazione oggettiva e sulla ragione. Per gli indigeni questi sono solo due elementi di un quadro ben più ampio, nel quale concorrono anche il sogno e la visione irrazionale, l’amore, l’abbandono, il contatto con dio, gli spiriti, gli animali e gli antenati. Non esiste una logica o perlomeno non esiste solo e soprattutto quella, bensì esiste il sentire a infinite dimensioni.

Altro che primitivi.

In tale contesto la malattia e i disagi non sono più visti come qualcosa di esterno da eliminare, bensì come segnali di un tutto da equilibrare. La medicina indigena non esclude affatto quella tecnologica, bensì la integra e, soprattutto, ha una funzione preventiva. Può inoltre operare con quello che i curanderos chiamano “esplosione d’amore” per curare patologie di ogni tipo, anche gravi.

Un curandero dice: “Non fa male la schiena, fanno male i carichi. Non hanno problemi gli occhi, fa male l’ingiustizia. Non fa male la testa, fanno male i pensieri. Non fa male la gola, fa male ciò che non si esprime o si esprime con rabbia. Non fa male lo stomaco, fa male ciò che l’anima non digerisce. Non fa male il fegato, fa male la rabbia continua. Non soffre il cuore, a soffrire è l’amore. Ed è precisamente questo, proprio l’amore, la medicina più forte”.

In pratica cosa succede? Uomini bianchi, occidentali, tecnologici, razionali, talvolta con una formazione scientifica o accademica si stanno avvicinando agli indios non più per “studiarli” come un qualsiasi antropologo, afflitto da strascichi di colonialismo, bensì per “apprendere” da loro come fare per tornare a “sentire” la vita anziché “studiarla” e cercare di capire come diavolo abbia fatto a venire fuori dal nulla e, magari, cosa possa significare.

Cosa significa “sentire” la vita? (C’è sempre qualche stronzetto che me lo chiede con una leggerissima connotazione polemica).

Ebbene ovviamente è difficile da spiegare su basi razionali, comunque ci proverò. Significa stare in qualsiasi luogo, magari immerso nella natura o magari no, in silenzio, acquisendo informazioni senza analizzarle e sospendendo qualsiasi giudizio. Significa fare cose che per un bianco occidentale possono sembrare assurde, come parlare o cantare a piante, fiumi, animali, o elementi come acqua e fuoco. Significa “sentire” una relazione misteriosa e inesplicabile con alcuni animali, alcune piante o magari altre persone. Significa non dare nulla per scontato, sacralizzare tutto, e vedere in cose che per un bianco possono sembrare automatiche o casuali, continui segnali di qualcosa che è nell’universo, ma nessuno può vedere, nonostante questa cosa pervada tutto regolando tutto in maniera mistica, giusta, amorevole e musicale. Significa dare un’importanza profonda a tutte le relazioni, sia umane che di qualsiasi altro tipo.

Il mondo è fatto solo di relazioni. Ancora una volta la visione mistica, anche indigena, e quella scientifica convergono. Per la fisica quantistica non esistono particelle subatomiche isolate, esistono solo relazioni tra particelle e flussi di energia.

Quello che sta avvenendo in Brasile, ma anche in tutto il mondo è un rinnovato interesse da parte delle persone occidentali per le culture naturali, in particolare per lo sciamanismo. Tale interesse spesso si espleta nella partecipazione a workshop o cerimonie dove vengono utilizzati canti, tamburi, danze e sostanze psicoattive. Il fenomeno è diventato una moda, ma va al di là della moda poiché le necessita psico-spirituali che spingono a questo comportamento sono concrete.

Non è così facile acquisire questo tipo di psicologia, d’altra parte non dipende, tutto sommato, da dove si è e cosa si fa, bensì dalla necessità che si ha di cambiare e di ritrovare il vero Sé. Si tratta di ricordare chi o cosa siamo veramente. Si tratta di tornare all’origine del proprio processo creativo, all’esplosione d’amore primordiale che ha creato tutto.

Il punto è che non è affatto sufficiente mettersi un cocard di piume in testa, farsi di ayahuasca, battere su un tamburo, strabuzzare gli occhi, passare un sacco di tempo nella foresta o nella natura, dire cose mirabolanti, stare con le gambe incrociate a occhi chiusi, mangiare radici, andare in India, tornare in Brasile, fare il corso di Reiki e tutta una serie di altre menate che sono diventate di moda negli ultimi dieci/venti anni.

Il punto è fare una rivoluzione interiore spaventosa, mettere tutto in discussione e finirla di prendersi in giro dal mattino alla sera, come fa la maggior parte delle persone.

Come si fa a sapere se la rivoluzione è riuscita o no? È semplicissimo. Si smette di chiacchierare e si è realmente disponibili agli altri, con amore, ma non perché si è buoni, coscienti e maturi, bensì semplicemente poiché finalmente si “sa” che non ci sono altre vie di uscita.

In sostanza “ritornare alla natura” non è avere una casa sull’albero e cibarsi di radici o assumere sostanze strane, bensì è tornare alla “propria” natura, quella di essere umano sano e creativo, orientato all’amore piuttosto che all’odio.

L’umanità si trova a un bivio. Perdere il contatto con se stessa in nome di chissà quale benessere tecnologico o materiale, oppure ritrovare le proprie radici e imboccare così una strada di rispetto per se stessa, la vita, la terra e la natura e vivere qualsiasi cosa ad essa si presenti, tecnologia inclusa, nella consapevolezza che solo l’amore può creare vero benessere profondo e sviluppo della coscienza su quello che è il significato misterioso dell’intero universo.

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Le Ruote di Cura

Juliana Ramos - Casa dell'Aquila, Rio

Juliana Ramos – Casa dell’Aquila, Rio

Tutti i martedì sera a Rio de Janeiro in una delle costruzioni di quella che era un’antica fazenda del quartiere di São Conrado vengono celebrate “Ruote di Cura”, “Rodas de Cura” in portoghese. L’antica fazenda si chiamava Villa Riso e vi si coltivava prevalentemente caffè, come in tutta l’area circostante. Fino a circa 35 anni fa il luogo era ancora relativamente selvaggio e rurale, oggi è uno dei quartieri trafficati della città come diversi altri.

Villa Riso era stata fondata dal signor Riso, un italiano facoltoso che aveva sposato una donna indigena dalla quale aveva avuto due figlie, Bebeta e Cesarina. Oggi la proprietà e divisa tra le due sorelle e Bebeta si occupa proprio della parte di proprietà dove si svolgono attività sciamaniche e spirituali in genere. Il luogo oggi è stato battezzato “Casa dell’Aquila” ed è piuttosto conosciuto a Rio tra la gente interessata a questi temi. La “casa” è immersa in una natura lussureggiante, lontano dal ruomore cittadino, tra rocce, piante, cascate e piscine d’acqua di fonte.

Il martedì dunque vi si svolgono le ruote di cura, dalle 20 alle 22,30 circa. Sono guidate da Carlos Sauer, di cui parlo diffusamente in altri post di questo stesso blog, un curandero brasiliano, oggi cinquantottenne, che dai venti ai cinquanta anni visse con il popolo dei Cheyenne in California, dove era stato adottato da un vecchio sciamano, Nelson Turtle. Qui Carlos aveva appreso tutti i segreti dello sciamanismo di questa tribù e di altre, come per esempio i Sioux Lakota.

A queste “ruote” partecipano diversi praticanti dello sciamanismo, numerosi altri medium e Juliana Ramos, compagna di Carlos e psicologa reichiana.

Nelle suggestive luci soffuse della sala, davanti a una candela accesa Carlos inizia a battere sommessamente sul suo tamburo sciamanico, seguito da tutti gli altri (me compreso) e poco dopo inizia a intonare i canti Lakota e Cheyenne. Sono canti che parlano d’amore, del sole e della luna, della terra, della vita e della morte, degli antenati, degli animali totem, di dio e dell’acqua, delle dee e del fuoco. All’inizio sono tutti seduti, poi man mano l’atmosfera si scalda e l’energia cresce, fino a quando Carlos si alza in piedi e invita anche altri a farlo. Dopo circa un’ora di ritmo con i tamburi e di canti a gran voce tutti insieme il livello di energia è altissimo, si sente l’energia palpabile nella sala. Spesso, quanto sono presenti a Rio, a un certo punto entrano, ornati dei loro diademi, a partecipare gli indios Fulni-o del Pernambuco, grandi amici e fratelli spirituali, con i loro potenti canti di guarigione. Poi tutto tace e, nel silenzio, iniziano le cure a tutto il gruppo e a specifiche persone che lo richiedono e che soffrono di particolari patologie acute o croniche in quel momento.

I medium iniziano nella semioscurità i loro massaggi spirituali e l’estrazione dei mali. Nel frattempo due voci femminili intonano dolcissimi canti arcaici matriarcali, accompagnandosi dal lento ritmo dei tamburi sciamanici. Di solito si tratta della compagna e della sorella di Carlos, medium anche loro.

In quella fase, dopo aver sperimentato la fortissima energia dei canti, dove non risparmio nemmeno la mia voce, cado in una trance profondissima nella quale, seduto, percepisco a malapena l’avvicinarsi di uno dei medium e il suo massaggio spirituale. Spesso lascio sgorgare le lacrime e perdo la nozione del tempo, lasciandomi trasportare dalla dolcezza dei canti matriarcali.

Quando tutto finisce ci metto parecchio a riprendermi e di solito torno rapidamente a casa dove mi accingo subito a un sonno profondo.

Le ruote di cura sono una delle attività più straordinarie della Casa. Magia pura nella quale tutto il gruppo cura una singola persona e, nel farlo, cura tutto se stesso, mentre le malattie di ogni singola persona investono tutto il gruppo e ogni singola cura coinvolge tutti gli altri.

Un’esperienza profonda.

Il balconcino visto da lontano

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Neanche mi avessero invitato a nozze. Lo dico in veste autocritica poiché non perdo occasione, tutto sommato, per sparare a zero sulla mia città, dove sono stato fino a dodici anni fa, alternando fortunatamente la residenza con numerosi viaggi. Poi ho colto l’occasione per passare sempre più tempo in Brasile, in particolare a Rio, dove ora vivo.

Una vicenda come quella del balconcino proprio ai Carioca sarebbe difficile da spiegare visto che qui fanno casino dal mattino alla sera, ma andiamo per ordine. Da alcuni anni da un balconcino del centro città a Torino due artisti, Maksim Cristian e Daria Spada, con alcuni loro amici, si esibiscono tutte le domeniche. Incredibile ma vero, ora sono perseguiti penalmente dalla Procura della Repubblica.

Torino è una città stupenda, ricca non solo sul piano paesaggistico e architettonico, ma anche culturale e umano. Il problema è il provincialismo profondo che la attanaglia, come tutte le altre città italiane, ma forse ancora di più. Un’iniziativa come quella andrebbe non solo sostenuta, appoggiata e incoraggiata, ma addirittura insegnata. Ovvero sarebbe interessante che l’eventuale appoggio a idee simili fosse sostenuto anche sul piano culturale spiegando, magari anche attraverso le pagine di un giornale, che non c’è niente di strano se si sente un po’ di musica nel quartiere nel tardo pomeriggio di domenica. Spiegare che nel mondo esiste anche l’espressione artistica popolare e che questa può anche coinvolgere un intero quartiere o persino un’intera cittadinanza. Negli ultimi anni si moltiplicano in tutto il mondo eventi dedicati alla pacifica condivisione di arte e musica, proprio per reagire al generale senso di crisi e di smarrimento di tutta la società di fronte ai terribili accadimenti degli ultimi tempi. Questa poteva essere una ulteriore occasione di questo tipo, oltre che una proposta che poteva caratterizzare ulteriormente la città. Purtroppo Torino è una città di vecchi, non necessariamente in senso anagrafico (per esempio mio padre ha 90 anni sta benissimo e fa il burattinaio), bensì in senso cerebrale. Tantissimi si accontentano di essere morti che camminano senza altre prospettive che le loro settimane fatte di lamentele, di piccole cose, della spesa per riempire quel maledetto tubo digerente che sembra la cosa più importante di tutte e poi la TV, quella sì, quella va benissimo. Qualche decibel in più la domenica pomeriggio NO, farsi vomitare la melma dal tubo catodico tutte le sere con la pancia piena della roba transgenica del supermercato SI.

Mi rendo perfettamente conto che finisco per scrivere banalmente cose condivisibili da molti e che sappiamo in tanti. Ma allora come è possibile che si verifichino ancora situazioni di questo tipo? Voglio dire, passi l’amministratore un po’ frastornato dalla melma televisiva, insieme a tutti i condomini zombie, occupati probabilmente perlopiù a fare gli schiavi per il sistema. Ma come può intervenire la Procura della Repubblica con tutti i problemi enormi che la società deve affrontare oggi? Non solo. Ma come è possibile che un attacco del genere non venga fatto ai danni di tutto sommato un oggettivo disturbatore dell’armonia sociale bensì contro artisti di livello che si sforzano di creare qualcosa di bello che possa aiutare a vivere diversamente i tempi molto difficili che tutti stiamo affrontando?

La Procura è sicura davvero di fare il bene della popolazione con una simile operazione? Se lo saranno chiesto oppure svolgono solo freddamente il loro lavoro senza assumersi la benché minima responsabilità, come farebbe qualsiasi impiegato di medio rango, di capire realmente cosa hanno di fronte?

Che tristezza. Ma non mi stupisco più di tanto. È proprio questa generale tristezza italiana fatta di gente piccola piccola, che conoscevo già benissimo, che mi ha indotto ad andare a esprimermi altrove.

Quello che posso dire è che sarebbe bello che chi ha potere, chi ha influenza a palazzo, avesse la dignità, la forza, la competenza per spiegare a tutti come questa idea sia nata da un atto di amore di un gruppo di artisti di diversa provenienza culturale e geografica. Forse nessuno lo fa perché gli zombie silenziosi sono comunque un bacino di voti e di consenso del quale occorre tenere conto.

Purtroppo occorre anche prendere atto del fatto che viviamo ancora in un mondo dove è più facile che vengano sostenuti morti che camminano impegnati solo a inscenare farse grottesche che non idealisti pieni d’amore.

La diffusione dello sciamanismo

Con sabino, sciamano Huni Kuin, Amazzonia.

Con sabino, sciamano Huni Kuin, Amazzonia.

Testi: Mauro Villone – Foto: M. Villone e Lidia Urani

Lo sciamanismo esiste dalla notte dei tempi ed è sopravvissuto fino ad oggi in diverse parti del mondo (vedi link a questo stesso blog). Cominciò ad essere oggetto di interesse e di studio da parte degli occidentali già dal XIX secolo con le prime esplorazioni del pianeta realizzate non a scopi solo commerciali. Gli sciamani, è ovvio, erano già stati incontrati dagli europei in tempi più remoti, come accadde a Marco Polo in Asia e ai primi esploratori delle americhe, ma fu nel XIX secolo che iniziarono studi oggettivi e sistematici, con l’avvento di quelle che al tempo venivano chiamate etnologia e etnografia.

Ma è nel XX secolo che gli studi sul tema cominciano ad avere un peso importante. In particolare nella seconda metà del secolo cominciò a uscire molto materiale, incluso il fondamentale “Lo Sciamanismo e le tecniche arcaiche dell’estasi” del grande storico delle religioni Mircea Eliade. La grande messe di testi pubblicati iniziò a gettare luce su questo fenomeno misterioso, spesso confuso con la stregoneria, con la quale peraltro ha punti di contatto, e a interessare un pubblico non solo accademico. Era già chiaro che lo sciamanismo aveva a che fare profondamente con la modificazione della coscienza. Nel frattempo, con la fine degli anni ’50 e l’inizio dei ’60 la beat generation manifestò la propria ribellione alla cultura istituzionale anche avvicinandosi agli stati modificati di coscienza, perlopiù indotti da sostanze psicoattive, in particolare LSD, appena scoperto da Albert Hoffman nei laboratori della Sandoz di Basilea. Tutti conoscono la rivoluzione che ne seguì, che coinvolse intellettuali, studenti, artisti, musicisti e letterati come Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Si cominciò a parlare di “porte della percezione”, concetto ripreso sul finire degli anni ’60 dal gruppo rock dei Doors che aveva nel suo frontman Jim Morrison il suo sciamano personale, personaggio straordinario, controverso e istrionico, poeta e cantore eccezionale, che non avrebbe potuto che disincarnarsi giovanissimo, oltretutto in circostanze mai del tutto chiarite.

Tra gli anni ’60 e ’70 dilagò la cultura psichedelica e, nel frattempo, sul finire dei ’60, comparve sulla scena un oscuro scrittore dai contorni poco chiari, nato in Perù e cresciuto in California a Los Angeles, dove si laureò in antropologia all’UCLA con una tesi sullo sciamanismo e le droghe psicoattive utilizzate dagli sciamani messicani. Anche se egli stesso non amava affatto identificarsi con la cultura psichedelica, Carlos Castañeda, deceduto nel 1998, oggi è un mostro sacro, ma la sua storia rimane misteriosa e mai del tutto chiarita. Considerato da molti antropologi istituzionali un impostore, ma osannato da altri, come per esempio Elémire Zolla, produsse una serie di libri interessantissimi dove racconta dei suoi incontri e del suo apprendistato con uno stregone o sciamano Yaqui messicano, certo Don Juan Matus. Fu una ulteriore rivoluzione culturale vera e propria che influenzò intere generazioni, portando ancora di più alla ribalta il misterioso fenomeno dello sciamanismo. Molti americani ed europei cominciarono a seguire le orme del maestro tentando di entrare in contatto con sciamani e stregoni un po’ ovunque, ma soprattutto in Messico e Nordamerica.

Carlos Sauer durante una cerimonia

Carlos Sauer durante una cerimonia

In poche parole quello che poteva sembrare un fatto di carattere etnologico, nel giro di alcuni decenni, da Mircea Eliade, attraverso la beat generation e le droghe, fino a Castañeda, divenne una questione cruciale riguardante la formazione stessa della cultura umana, così viva da interessare decine di milioni di giovani e meno giovani in tutto il mondo.

Di sicuro non furono solo questi gli autori che contribuirono allo sviluppo dell’interesse sul tema. Se ne potrebbero citare a decine, tra i quali Joan Halifax, Terence McKenna, Richard Evans Shultes, Robert Gordon Wasson e molti altri. Il punto fondamentale è che la modificazione dello stato di coscienza, il viaggio sciamanico e altri fenomeni, già dagli anni ’80 non erano più faccende da addetti ai lavori, ma manifestazioni culturali e di costume diffuse.

Documentaristi di diversi paesi si cimentarono sull’argomento e venne prodotta una quantità di materiale scritto e visuale che si mescolò a un rinnovato interesse anche per gli indiani nordamericani, visti non più come nei vecchi western, ma sotto una luce diversa e osservati con maggiore profondità.

Dopo un periodo di relativa stasi l’inizio del XXI secolo vide una ripresa dell’interesse a questi temi e lo sciamanismo cominciò a diventare oggetto non solo di studio e di osservazione, ma anche di esperienza pratica, con stage, corsi, festival.

Questi avvenimenti più recenti hanno portato da una parte al nascere di una quantità di cialtroni, praticoni e impostori che per il semplice fatto di battere su un tamburo o di farsi di peyote riescono a spacciarsi per sciamani, d’altra parte hanno fatto sì che lo sciamanismo diventasse seriamente un fatto inserito nel costume odierno dando la possibilità a un vasto pubblico di avvicinarsi a una filosofia di vita arcaica e profonda. Questo fatto presenta buone opportunità e anche problemi dai quali lo sciamanismo stesso deve difendersi, per la semplice ragione che, come per qualsiasi altra cosa nel mondo occidentale, si è creato un mercato con annessi e connessi, domande e offerte, leggi economiche, azioni di marketing e operazioni commerciali e di immagine.

La reazione a questo stato di cose è duplice. Da una parte c’è chi vorrebbe fermare tutto e tornare ai vecchi tempi dove c’era la civiltà occidentale e tecnologica contrapposta e più o meno distante da quella rurale e selvaggia, dall’altra c’è chi vede in tutto questo un’opportunità, che presenta mille rischi per ambedue le parti, ma da cogliere.

 

Cpn Xowà Tapuyà, guerriero Fulni-o

Cpn Xowà Tapuyà, guerriero Fulni-o

Cosa succede oggi

La profonda crisi che il mondo occidentale sta attraversando ha risvegliato un grande interesse per il mondo spirituale. Di fatto nelle ultime tre decadi si è sviluppata un’offerta che propone di tutto tra cui ovviamente anche lo sciamanismo. In particolare ha avuto larga diffusione l’utilizzo dell’Ayahuasca come enteogeno spirituale in tutto il mondo.

Le pareti tra il mondo tecnologico e quello selvatico sono sempre più sottili e i due mondi si vanno dissolvendo uno nell’altro. Chi corre i rischi maggiori sono chiaramente gli indigeni, se non altro perché finora relativamente poco contaminati. Ma in realtà esistono anche molti aspetti positivi. Vediamo quali.

 

La situazione brasiliana

Sebbene il fenomeno sia diffuso in tutto il mondo è per me più agevole parlare della situazione in Brasile poiché qui risiedo e qui faccio esperienza concreta di relazione con il mondo dello sciamanismo da molti anni.

Una dozzina di anni fa un serissimo operatore olistico di un rinomato centro di salute di Rio de Janeiro ricevette la visita inaspettata di due giovani sciamani provenienti dall’Amazzonia. Si trattava di due giovani di alto lignaggio del popolo Huni Kuin dell’Acre, discendenti da stirpi di capi e pajé, come vengono chiamati qui gli sciamani, grandi maestri nell’utilizzo delle piante e in particolare della miscela sacra dell’Ayahuasca.

Da quell’incontro nacque una lunga storia che si prolunga fino a i giorni attuali. Una storia di amore, fratellanza, ricerca spirituale.

Nacque una collaborazione tra un gruppo di ricercatori spirituali carioca e i pajé Huni Kuin. Vennero organizzate le prime cerimonie sacre Ayahuasca a cui ne seguirono numerose altre fino ad arrivare all’intensa attività odierna con almeno una cerimonia al mese nello stato di Rio de Janeiro e un continuo scambio spirituale e culturale nei territori di provenienza degli Huni Kuin, nel Rio Jordão, stato del Acre, Amazzonia meridionale. Oggi i non indios coinvolti in questa vicenda si sono organizzati in una associazione chiamata “Guardiões da Floresta”, i “Guardiani della Foresta”, dei quali anch’io faccio parte. Negli ultimi quattro anni sono state realizzate pubblicazioni con un importante editrice di Rio, si è aperto un canale di scambio informazioni con il Giardino Botanico di Rio e altre istituzioni universitarie. Il famoso artista plastico brasiliano Ernesto Neto ha già presentato più volte suoi lavori che hanno come tema centrale gli Huni Kuin, come accaduto nella Biennale di Venezia 2017.

L’uso dell’Ayahuasca è esteso storicamente a tutta la fascia amazzonica dove, a seconda delle aree, è conosciuta con nomi diversi come Yajé o Caapì. Da alcuni anni il suo uso si è rapidamente espanso in tutto il mondo diventando anche una moda, un fenomeno commerciale e di costume, uno strumento di ricerca spirituale e psicologica, nonché di cura. Naturalmente la sua rapida diffusione presenta anche risvolti negativi come lo scarso controllo, l’uso smodato e non rituale, con la perdita delle sue caratteristiche di sacralità.

Ma ci sono anche aspetti positivi, poiché in generale non solo l’uso di Ayahuasca, ma anche di altre piante e dello sciamanismo in genere sta comunque contribuendo alla diffusione di un certo tipo di coscienza relativamente soprattutto al rapporto dell’uomo con se stesso, con le sue origini, con la natura e il cosmo.

I popoli coinvolti in questa vicenda non sono solo gli Huni Kuin, ma numerosi altri, come gli Yawanawà dell’Acre, gli Shipibo del Perù e diversi altri del bacino amazzonico. Ve ne sono anche alcuni che con l’Ayahuasca non hanno nulla a che fare, come per esempio i Fulni-o del Pernambuco, peraltro comunque grandi conoscitori della farmacopea naturale e di rituali antichissimi che includono danze e canti e altre piante sacre, come per esempio la Jurema.

Brasile e Sudamerica sono particolarmente coinvolti in questo processo di diffusione dello sciamanismo, ma il fenomeno riguarda anche il Messico, gli USA e anche altre aree nel mondo popolate da gruppi indigeni, come per esempio la Siberia, l’Africa Occidentale e l’Australia.

In poche parole il fenomeno di avvicinamento di fasce di popolazione occidentale alle culture indigene è in rapido sviluppo. Spesso legato, come accade con l’Ayahuasca, ad altre piante con effetto psicoattivo, come l’Iboga, il Peyote, l’erba di San Pedro, l’Amanita Muscaria e numerose altre.

In buona sostanza uno degli elementi importanti in tale processo è proprio la modificazione dello stato di coscienza indotto dall’uso di enteogeni. Tale modificazione è in uso da decenni nell’indagine psicospirituale in occidente con l’utilizzo anche di altre tecniche, come per esempio la respirazione olotropica. Uno dei pionieri nel settore è lo psicologo Stanislav Grof.

Come avviene in altri settori, tradizioni e tecniche di diversa provenienza col tempo e anche grazie alla globalizzazione, si stanno incrociando, influenzando e integrando a vicenda. Ne sta nascendo una nuova forma di indagine psicologica e spirituale che sta cambiando sensibilmente il modo stesso di vedere il mondo e il ruolo dell’uomo in esso.

Nel complesso il fenomeno, pur presentando come abbiamo visto, aspetti sia negativi che positivi, è stimolante e produttivo sul piano culturale e spirituale e senza dubbio mentre da una parte contribuisce a muovere l’uomo occidentale dall’impasse culturale e spirituale nel quale si trova, dall’altra offre concrete possibilità agli indigeni, che versano spesso in condizioni difficili sul piano pratico e materiale, di riscattarsi operando su diversi fronti, diffondendo il proprio sapere millenario, la propria conoscenza erboristica e farmacologica, il proprio artigianato sacro sopraffino.

Nell’insieme sta avvenendo un cambiamento che potremmo tranquillamente definire epocale.

C’è chi ritiene che quanto sta accadendo potrebbe essere profondamente significativo per gli sviluppi futuri di tutta la cultura planetaria e per affrontare la profonda crisi in atto e le altre che seguiranno.

Sul piano pratico possiamo osservare che gli indios sono generalmente molto ben radicati nelle loro tradizioni e conoscenze e difficilmente si fanno contaminare a fondo dalla cultura occidentale. Anzi, molti di loro hanno sensibilmente migliorato la qualità della loro vita, avendo più opportunità di scambio ed essendo di fatto più liberi, dopo un periodo di schiavitù durato decenni, sfruttati come seringeiros per l’estrazione della gomma dalle piante di caucciù. Di fatto i non indios sembrano trarre beneficio da pratiche e cerimonie, soprattutto nel modo di sentire se stessi, la natura, il cosmo, le relazioni con gli altri. Potremmo dire che si assiste a una generale più profonda inclinazione all’amore e al sentire il Tutto come Uno. Fermo restando, come ho già sottolineato in altri scritti, che diventare sciamani è estremamente difficile per un occidentale, poiché occorre nascere all’interno di una stirpe, dedicarvi la vita intera e sottoporsi a processi durissimi e di profondissima trasformazione che richiedono diete ferree, purghe, pratiche varie che possono durare anni o decenni.

Gli sviluppi futuri potranno essere molteplici, ma di fatto, se si riuscirà da ambedue le parti a mantenere un atteggiamento responsabile, privo di qualsiasi prevaricazione e orientato al reciproco sviluppo armonico, non potranno che essere positivi. Si assisterà anche a una leggera compenetrazione delle due culture, basata anche sulla recente formazione di famiglie miste.

Sono inoltre in via di sviluppo nelle aree indigene progetti di carattere culturale, agricolo, energetico e di salvaguardia del territorio. Noi stessi, abbiamo messo a disposizione la nostra sede di Para Ti ONG a Rio (www.parationg.org) per periodica ospitalità di gruppi indigeni, per la realizzazione di attività rituali e culturali. (Per info scrivere a unaltrosguardo@libero.it).

La diffusione dello sciamanismo oggi potrebbe essere una delle reazioni positive al profondo impasse e alla profonda crisi che sta soffrendo il mondo occidentale.

Sarà responsabilità di ogni individuo essere sincero con se stesso e non accontentarsi di “sembrare”, come spesso accade in occidente, ma di sentire a fondo realmente cosa significhi “Tutto è Uno”.

Huni Kuin dell'Acre (Amazzonia)

Huni Kuin dell’Acre (Amazzonia)

 

Scienza e trascendenza

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Alla base dell’antica diatriba scienza-trascendenza c’è un grosso equivoco. Un equivoco che paradossalmente solo una mente razionale e analitica può cogliere, mentre non può farlo una mente dogmatica e arrogante.

Cartesio, che aveva gettato le basi del razionalismo, cercava certezze che solo prove analitiche e matematiche potevano dare e diede un grandissimo contributo alla scienza. Naturalmente il sistema scientifico funziona eccome e ha potuto realizzare cose strabilianti, sia sul piano della conoscenza teorica, sia su quello delle applicazioni pratiche. Nella società odierna, che da secoli sopravvive grazie a un sistema oramai collaudato e consolidato, il potere della scienza è enorme, alla pari di quello dei sistemi religiosi che si occupano di tutto ciò che non è possibile spiegare sul piano scientifico. Una persona qualsiasi, dotata sia di raziocinio che di sensibilità emotiva e anelito spirituale, ha due strade davanti a se. La prima, seguita dai più, spesso anche inconsapevolmente, è quella di adattarsi al sistema e viverci più o meno bene. È una strada che raccoglie un vastissimo pubblico trasversale. Vi si possono trovare grandi eruditi come persone piuttosto ignoranti. I primi saranno soddisfattissimi del loro “essere razionali”, i secondi, meno consapevoli, si accontenteranno di partite, Belen varie, telefonini di ultima generazione e via dicendo.

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C’è poi un altro gruppo di minoranza, ma sempre più folto, di persone che anziché cercare patologicamente e ad ogni costo certezze, si fanno moltissime domande e non tardano a mettere in discussione il sistema di pensiero imperante che ritiene che i giochi ormai siano fatti.

Nel momento in cui si incomincia a farsi domande ci si accorge che ci sono una enorme quantità di cose e di dati che non quadrano affatto. Di questo parlo ampiamente nel mio libro “Il Mistero della Libertà” a questo link.

I sostenitori della razionalità insistono nel dire che il sistema scientifico è assolutamente certo, al 100%, e solo affidandosi ad esso si possono trovare risposte esaurienti. Mentre altri, come me, lo mettono in dubbio, proprio su basi razionali per quattro semplici ragioni precise. La prima che, come già rilevato, ci sono dati che non quadrano affatto e che la scienza non riesce a spiegare. La seconda che la scienza stessa ammette di non riuscire a dare una spiegazione certa, tanto per fare un esempio, sulle origini del cosmo e della vita. La terza che la scienza stessa, nello studio della materia, si è trovata di fronte a paradossi anch’essi difficili da spiegare, come l’inesistenza di un mattone base della materia per esempio. La quarta, per me la più importante, che ci sono territori immensi nell’universo che la scienza non ha proprio gli strumenti per indagare.

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Soffermiamoci su quest’ultima. Il sistema scientifico, assolutamente efficacie su una grande quantità di temi, non può muoversi all’interno di territori nemmeno troppo trascendentali, come per esempio le emozioni, le intuizioni, gli istinti, i desideri. Può valutarli su basi statistiche certamente, ma non è in grado di catalogarli con il suo sistema valido per, diciamo, la meccanica dei corpi o il funzionamento di una cellula. A questo aggiungiamo tutto quello che nell’universo si trova e che non può essere visto, come spiriti, entità, altri mondi. In questi ultimi casi la scienza se la cava con un sorrisetto affermando semplicemente che queste cose non esistono, come per esempio fa regolarmente il CICAP. Il problema è che esiste invece tutta una casistica sterminata di manifestazioni al di là del consueto come medium che incarnano entità, persone che possono entrare in contatto con spiriti disincarnati, manifestazioni inspiegabili di ogni tipo vissute da moltissimi testimoni. È facilissimo per la scienza ignorarle o osservarle con sufficienza e raccontare che non esistono. E il bello è che non c’è atteggiamento meno scientifico di questo. Se la scienza, fin dai primordi avesse avuto un tale approccio con la realtà, non avrebbe fatto un passo in avanti che sia uno.

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Per fortuna le cose stanno lentamente cambiando e sia in Brasile che in altre parti del mondo ci sono istituti e università che si stanno avvicinando a questi temi con un atteggiamento meno retrogrado, dogmatico e oscurantista di quello del CICAP.

In particolare, vivendo io in Brasile, una terra dove fenomeni di questo tipo sono all’ordine del giorno, e dove ci sono istituti che li studiano, mi trovo quotidianamente ad avere a che fare con cose simili. Sono una realtà ben radicata che solo in minima parte deriva da superstizioni popolari, mentre ha copiosamente a che fare con la psicologia del profondo, la spiritualità, la vita quotidiana e culture antichissime.

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In particolare lo sciamanismo, legato a culture indigene che hanno radici molto antiche presenta caratteristiche che non possono di sicuro essere studiate da un punto di vista scientifico. Qualsiasi tentativo di analisi è destinato a fallire. Gli antropologi che da quasi due secoli studiano questo fenomeno si ritrovano regolarmente nella posizione di colonialisti che osservano analiticamente qualcosa dall’esterno e lo sezionano nei minimi particolari perdendo così l’opportunità di vivere quel fenomeno sulla propria pelle. La scienza occidentale, con la sua mania di analizzare tutto ha perso l’occasione di vivere le cose dall’interno, perdendone l’essenza globale. A Rio per esempio si trovano serissimi scienziati che studiano gli effetti psicotropi dell’ayahuasca (una miscela di piante sacre utilizzata da millenni dagli indios) su campioni di volontari, osservando tomografie del cervello, mentre il soggetto è sotto l’effetto della sostanza. Questi stessi scienziati sostengono che, al di là dell’interesse accademico, questi studi potrebbero portare a sintetizzare una miscela di alcaloidi in laboratorio, la quale sarebbe utilizzabile per curare certe malattie soprattutto di ordine psichico. Magnifico e interessante. Ma occorrerà solo ricordarsi che l’ayahuasca non è affatto solo chimica. Il suo utilizzo come medicina sacra della foresta è antico di millenni, legato a concezioni complesse di sacralità della natura, e la miscela viene somministrata in cerimonie sacre complesse dove intervengono decine di fattori, oltre alla complessa composizione chimica delle diverse piante, come canti, danze, rituali, relazioni umane e l’amore di tutto il gruppo. In tutto questo la scienza non può entrare, non perché sia vietato, bensì perché semplicemente i suoi strumenti servono ad altro. La scienza deve fare il suo egregio lavoro, utile e imprescindibile e chi crede in essa dovrebbe avere la capacità e l’umiltà di capire che esistono cose che con essa hanno poco a che fare. Cose che non possono essere analizzate solo sul piano razionale.

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Potrebbe anche esistere una scienza, che non conosciamo ancora, che utilizzi altri strumenti oltre a quello fondamentale della ragione, ma se fosse così si ritornerebbe al punto iniziale, ovvero si tratterebbe di una scienza diversa da quella cartesiana, limitata, che viene utilizzata oggi come se fosse la verità assoluta.

In sostanza ciò che sostengo è che le meraviglie della scienza che ovviamente nessuno nega devono essere inserite in un contesto ben più ampio che prevede che il mondo o il cosmo siano qualcosa di ben più complesso e articolato di come la stessa scienza ammetta e di come non sia possibile dare spiegazione di tutto solo su basi razionali, cartesiane, e che si conformino, come appunto la scienza vorrebbe, su criteri di osservazione asettica e ripetibilità. Non tutto può essere osservato analiticamente ed essere ripetuto freddamente in laboratorio o descritto con formule matematiche.

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Queste considerazioni anziché togliere valore al razionale e alla scienza la avvalorano ancora di più poiché la rendono addirittura più sacra come se fosse una delle ali di un’aquila immaginaria che esplora l’infinito. La seconda ala è costituita dall’immaginazione, dall’intuizione e dal sentire, con tutte le implicazioni che quest’ultimo verbo può coinvolgere.

Le fotografie di questo servizio del mio amico e fotografo Ernesto Cosenza, facenti parte della sua collezione “Naturarte” sono un suo lavoro di ricerca che porta avanti da anni. I soggetti che Ernesto fotografa sono sotto gli occhi di tutti, ma lui ha la dote innata di vederli prima di altri e di registrarli. Gli ho chiesto se gentilmente le concedeva per questo mio articolo poiché dimostrano come ogni osservazione possa essere fatta da innumerevoli punti di vista. Secondo un osservatore razionale queste figure antropomorfe o teriomorfe sono frutto della fantasia che si aggancia a casuali morfologie. Secondo indigeni di diverse parti del mondo invece animali, piante, fuoco, aria, fiumi, rocce, montagne e altri elementi naturali sono sacri e ospitano nella loro materia innumerevoli spiriti. Dire chi ha ragione dei due è impossibile poiché per farlo occorrerebbe un ulteriore osservatore esterno del quale per ora non disponiamo. Ed è del tutto inutile, oltre che irrazionale, che un osservatore che utilizzi uno dei due punti di vista precedenti sostenga la superiorità o la maggiore validità del proprio.

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Ritengo che l’ideale sia un sereno equilibrio che utilizzi ambedue i punti di vista per avere una visione più stereoscopica della realtà, la quale comunque rimane ancora del tutto misteriosa. Ogni tentativo di mettere un limite all’infinito è destinato a fallire in partenza. Forse è questa la ragione dell’accanirsi sulla validità della razionalità e della scienza (come la conosciamo oggi) di individui televisivi come­­­­­­ per esempio Piero Angela o Cecchi Paone e di gruppi come il CICAP, la paura di dover abbandonare certezze e di dover fare ciò che diversi cammini spirituali suggeriscono da millenni, abbandonarsi senza nessuna paura all’ignoto, all’inconoscibile, all’insondabile. Ci vuole molto coraggio insieme a una profonda umiltà. Non è certo da tutti.

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Foto: Gentile concessione Ernesto Cosenza. Copyright – ©Ernesto Cosenza

Ernesto Cosenza lavora con la fotografia su diversi fronti. Da anni si dedica, tra le altre cose, all’indagine fotografica sulla natura rilevando figure simboliche, antropomorfe, teriomorfe sorprendenti. Le sue foto, recensite da diversi giornali, sono state esposte in numerose esposizioni. Ebbi il piacere di esporlo anch’io nel Turin Photo Festival da me organizzato a Torino fino a cinque anni fa.

La collezione qui presentata fa parte di “Naturarte”. Le immagini vanno molto al di là della documentazione che rileva curiose immagini su elementi naturali come tronchi e rocce, trasportando l’osservatore in un mondo magico che sembra essere molto più reale e concreto di quanto non si possa immaginare. Una visione quasi “sciamanica”, decisamente fuori del comune. Gli indios brasiliani con i quali faccio ricerca in Brasile non hanno alcun dubbio riguardo la presenza di spiriti ovunque, nell’etere, nel vento, nelle piante, nel fuoco e in qualsiasi elemento naturale.

Le immagini di Ernesto Cosenza sono pubblicate nel libro Natur Art.

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La causa delle malattie e dei disagi

Foto: @mvillone - Portale egizio. Tempio di Hatsepshut, Valle dei Re.

Foto: @mvillone – Portale egizio. Tempio di Hatsepshut, Valle dei Re.

La causa di tutte le nostre malattie, di tutti i nostri disagi, non solo è molto profonda come spiegano la psicosomatica o la medicina psicospirituale, non solo le diverse malattie sono legate a fattori psicologici specifici come spiega la nuova medicina germanica di Hamer e gli studi di medici francesi sui legami tra le diverse patologie e specifiche situazioni emotive e familiari, bensì sono legati all’intera situazione di tutta la nostra specie e alla storia di tutta l’umanità.

Ogni malattia o disagio di altro tipo, gravi o lievi che siano, non sono che i nodi di una rete gigantesca nella quale non solo siamo presi, ma della quale siamo anche i tessitori e parte integrante. Il detto degli sciamani “Tutto e Uno” è vero sia nel bene che nel male. Ogni nostra anche più piccola e apparentemente insignificante manifestazione non è che la proiezione olografica di un tutto che ci pervade e che noi stessi contribuiamo a costituire.

È per tale ragione che la “vera cura” non può altro che essere legata all’illuminazione. Perché finché non si riesce a vedere tutta la realtà nel suo insieme non si riesce affatto a capire quale sia il disegno totale nel quale ci troviamo immersi.

Sempre per tale ragione spesso la preghiera e la meditazione hanno effetti benefici sul nostro sistema psicofisico e spirituale. Perché hanno la possibilità concreta di gettare un raggio di luce su una porzione di situazione che, essendo olografica, non può che essere totale. Sempre per la stessa ragione le cure chimiche o fisiche di qualsiasi tipo non sono altro, sempre e solo, che dei palliativi. Anche se sortiscono un qualche effetto non fanno che rimandare il problema magari anche di anni, addirittura di vite intere. Un problema fisico che venga apparentemente guarito da una cura per esempio chemioterapica, non è altro che rimandato a un dopo che potrà essere dopo anni, decenni o in una delle prossime incarnazioni.

Quando un medico o un chirurgo inoltre ottengono risultati positivi è solo in parte dovuto all’abilità tecnica, professionale e manuale, il più delle volte quello che cura è l’amore del terapeuta, anche se apparentemente si tratta di un tecnico che opera sul piano razionale e scientifico.

Le nostre vite così come l’esistenza dell’intero cosmo non hanno palesemente alcun senso sul piano razionale e scientifico. La scienza può solo spiegare porzioni di concatenamenti di cause ed effetti, ma non ha la benché minima possibilità di spiegare l’intero sistema. Né perché esista e nemmeno come, visto che né l’origine della vita né quella del cosmo sono affatto chiare alla scienza. Senza contare che qualsiasi spiegazione razionale del “senso dell’esistenza” sia destinata a fallire visto che non esistono “punti di riferimento” all’esterno di tutto il sistema che ci è dato di conoscere.

L’unica cosa che può fare una povera coscienza umana è quella di collocare a un certo punto un “dio” che metta un limite alla devastante infinità del concatenarsi di cause ed effetti, di domande e di risposte, sempre più impressionanti, di particelle sempre più piccole di una materia che sembra sempre più non essere per niente quello che sembra.

L’altra alternativa, forse l’unica mi verrebbe da dire (se fossi io a scrivere, poiché ho come la netta sensazione che qui le parole stiano uscendo come se fosse qualcun altro dentro di me a dettarle) è quella di abbandonarsi totalmente, nella più assoluta umiltà, senza la benché minima riserva, al flusso dell’infinito spaziotemporale. Uscire totalmente dalle descrizioni della mente, razionali, scientifiche o popolari che siano. Un’esperienza che, nella sua totalità, è talmente sconvolgente da averne così paura da ancorarsi disperatamente alla descrizione che la mente e la ragione fanno del cosmo, dalle supernove alla tazza di tè che abbiamo in un certo momento davanti a noi sul tavolino.

Ritornando alle nostre malattie esse non sono altro che innumerevoli e fantasmagorici segnali di un disagio profondissimo, che può assumere le forme più svariate, i quali manifestano la necessità che abbiamo di intendere davvero cosa stiamo facendo, anche se non fossimo affatto dei mistici né speculatori filosofici. È come se le malattie ci “obbligassero” a mettere una certa “attenzione” su “qualcosa” che non sappiamo affatto cosa sia.

Sempre per questi stessi motivi spesso la meditazione, le preghiere, le cure di santoni e curanderos “funzionano”. Avviene perché in un certo modo ci mettono per una frazione di secondo o per periodi più o meno lunghi, a contatto con l’inspiegabile, il “trascendentale”. Ci aprono un varco attraverso il quale per un attimo riusciamo a vedere la realtà “vera” senza capirla, ma, sempre per un attimo, abbandonandoci ad essa con un amore assoluto, il quale non ci è affatto estraneo, anzi è l’unica cosa seriamente reale dell’inconcepibile casino nel quale ci troviamo tutti quanti. Ecco perché a volte, seppur trovandosi (almeno apparentemente) a un livello di coscienza inferiore, gli animali, le piante e persino “cose” come i fiumi e le montagne sembra che “sappiano” anche senza capire. Sembra che sappiano come la “verità” possa nascondersi tra le pieghe di un istante che in esso raccoglie tutta l’eternità. Quello che i mistici giapponesi chiamano “ichinen”, l’unità infinitesimale di tempo dentro la quale può manifestarsi TUTTO. Il Tutto è Uno degli sciamani sudamericani.

In sostanza quando avete una qualsiasi situazione di squilibrio o di sofferenza, che sia il cancro, un raffreddore, il dolore per una perdita o per un amore finito, qualsiasi cosa, curatevi pure con farmaci, radiazioni, aria buona, un bravo psicologo o una tisana, ma sappiate che la cosa fondamentale è ascoltare quel segnale, qualsiasi esso sia, e “sentire” quello che esso ci vuole dire. Quasi sempre ci vorrà raccontare di un percorso, una storia, magari lunga millenni, ma la cui origine è sempre la stessa per tutti. Ed è di fronte a quell’origine che dobbiamo abbandonarci gettando senza riserve qualsiasi maschera, qualsiasi ruolo, qualsiasi “rappresentazione” ed essere una volta per tutte noi stessi senza “sapere” affatto cosa questo significhi, perdendo definitivamente la sensazione di “io” per perdersi per sempre nel Tutto.

Non è di sicuro una cosa semplice da fare, infatti ci riescono in pochissimi, ma non siamo soli.

Haux haux haux. Il mio nome è Mauro Villone, sono nato a Torino in piazza Vittorio  59 anni fa.

Scritto nella notte tra il 31 agosto e il 1° settembre sull’Altopiano centrale brasiliano ad Abadiania, la cittadina del medium Joao de Deus, dopo 4 ore di meditazione intensa con altre 300 persone e 30 medium.

 

Cos’è lo sciamanismo e come funziona

PER FAVORE LEGGETE CON ATTENZIONE
Cos’è lo sciamanismo e come funziona
 
Ci sono molte pubblicazioni sul tema, anche in italiano, nonostante ciò mi accingo a spiegare di cosa si tratta cercando di farlo in maniera semplice, visto che io e il mio gruppo siamo impegnati a portare in Italia alcune pratiche sciamaniche.
In primo luogo cosa non è. Non è stregoneria e non è nemmeno una cosa tanto semplice da essere spiegata in breve, men che meno apprenderla. Non si diventa sciamani. Per esserlo in generale occorre discendere da un antico lignaggio di sciamani e curanderos, sottoporsi a un apprendistato durissimo, ma veramente durissimo, così duro da mettere profondamente in discussione le radici stesse della nostra esistenza e che può durare decenni.
Detto questo si capisce subito come con un workshop di due giorni di sciamanismo di sicuro non diventi sciamano nessuno e, con ogni probabilità, chi va in giro a dire di essere sciamano come minimo non ha nemmeno ben capito di cosa si stia parlando.
A cosa servono dunque i workshop e le attività di sciamanismo? (e qui veniamo al dunque).
Servono a introdurre persone comuni, più o meno preparate che siano al tema, a un certo tipo di spiritualità. E finalmente siamo al tema del presente scritto.
Partecipare a cerimonie, ruote di cura, workshop, consultazioni private, di sciamanismo serve a prendere coscienza di un certo tipo di rapporto che l’essere umano può avere con se stesso, con la natura, gli animali, le rocce, la terra, gli astri, le piante, il suono, il silenzio, in poche parole, con l’intero creato.
Lo sciamanismo propriamente detto è una pratica antichissima, di migliaia e migliaia di anni, forse decine di migliaia. Nacque in epoche paleolitiche, nessuno sa con esattezza come, ma presumibilmente per un mix di necessità degli uomini di quell’epoca. Sopravvivenza, cura, espressione artistica, anelito spirituale. Le prime tracce si trovano nel continente eurasiatico e in particolare si sviluppò in Siberia o comunque nel nord dell’Asia. Da qui, sono sempre ipotesi, entrò in quello che oggi è conosciuto come continente americano, portato dalle popolazioni che probabilmente attraversarono lo stretto di Bering quand’esso si trovava coperto dai ghiacci.
In sostanza lo sciamanismo oggi si trova in Siberia, nelle americhe e, in forme diverse, nel sudest asiatico, in alcune zone dell’africa occidentale e in oceania.
 
Nelle americhe è ancora particolarmente fiorente e, spesso, legato all’utilizzo di piante e miscele di piante psicoattive che hanno determinate funzioni specifiche. Lo sciamanismo è molto complesso da descrivere, infatti una trattazione esaustiva richiederebbe un libro, ma cercherò di sintetizzare al massimo per ragioni pratiche.
 
Lo sciamano è un essere umano dotato di particolari doti spirituali, psichiche e anche extrasensoriali, come per esempio la medianicità, che lo rendono adatto alla cura di altre persone e anche di interi gruppi. Tale cura può essere di carattere fisico, psichico, emozionale o spirituale. In generale quando una persona soffre di un qualche squilibrio di natura fisica, psichica o spirituale secondo lo sciamanismo questo è avvenuto poiché la sua anima è stata frammentata e, forse, se ne sono persi dei pezzi da qualche parte nel cosmo. Ciò non toglie che una persona possa anche subire attacchi fisici o spirituali e per tale ragione ammalarsi in qualche modo.
 
Compito dello sciamano è scendere in profondità o salire al cielo e recuperare i pezzi di anima perduta. Un lavoro di tutto rispetto che richiede una preparazione e una abnegazione enormi.
 
Se non si diventa sciamani in due giorni a cosa servono i workshop e i libri?
Servono a noi comuni mortali per accedere a un certo tipo di filosofia, a un certo tipo di conoscenza per rendersi disponibili alle eventuali cure di un vero sciamano e per recuperare una sapienza, oggi in gran parte perduta, che permetteva alle persone comuni, per esempio di una tribù, di avere una relazione armonica e profonda con tutti gli elementi naturali.
Nella vita tecnologica metropolitana occidentale gli elementi naturali non si sa nemmeno più cosa siano. Si accetta la notte perché arriva, ci si ripara dalla pioggia quando c’è, ci si rosola al sole per abbronzarsi e tutto finisce lì.
Per una popolazione sciamanica invece tutto è sacro nella natura, ogni più piccolo e apparentemente insignificante dettaglio. Non c’è differenza alcuna tra una cosa e un’altra, Tutto è Uno.
 
Questa magnifica e armonica concezione dell’Universo può essere recuperata con lo studio, la trasmissione di esperienze di altri, rituali, cerimoni ed esperienze fisiche, psichiche e spirituali personali.
 
Quello che noi facciamo, sia a Rio e in generale in Brasile che in Italia è esattamente questo. Rendere disponibile a chiunque lo voglia una sapienza antica che è sopravvissuta nei secoli grazie a tribù che hanno mantenuto antichissime tradizioni, con le quali noi abbiamo un contatto molto approfondito e con persone come per esempio Carlos Sauer, le quali hanno dedicato la vita ad accogliere studiare, sviluppare tali tradizioni.
 
In sostanza nei workshop, nelle cerimonie e nelle attività che noi stessi facciamo e che proponiamo, cerchiamo di trasmettere l’amore per la natura, fin nei più minimi dettagli, come gli elementi naturali, gli esseri viventi, i comportamenti, le direzioni cardinali, le stelle, gli astri, il vento, le acque, qualsiasi cosa inerente al mondo meraviglioso in cui ci troviamo e che sta affondando nell’inconsapevolezza e nella mancanza di rispetto.
Un personaggio come Carlos Sauer è una manna per chi è interessato a questa sapienza per alcune semplici ragioni. È brasiliano e quindi conosce il territorio dove vivono tribù sciamaniche, ha vissuto quasi 30 anni con i Cheyenne e altre tribù nordamericane, adottato da Nelson Turtle, vecchio sciamano Cheyenne ed è medium, discendente da un lignaggio di cinque generazioni di medium ed è inoltre dotato di una energia straordinaria.
 
Chi scrive (Mauro Villone) studia e si interessa a queste tematiche da quaranta anni e da oltre dieci si trova in Brasile dove ha modo di approfondire teorie e pratiche dello sciamanismo non solo con Sauer, ma anche con tribù Fulni-o. Huni-Kuin, Krenak, Yawanawà, Pataxò, Xingù, Guarany.
Siccome incidentalmente ha anche a cuore le sorti del pianeta e lo sviluppo futuro dell’umanità crede, in tutta umiltà e nelle proprie piccole possibilità, che diffondere tale sapienza possa essere di grande stimolo e utile per chi intende reagire alla deplorevole situazione in cui il mondo tecnologico e di mercato ha ridotto la Nostra Madre Terra.
 
Saremo in Italia dal 4 al 18 ottobre.
Per ulteriori info: unaltrosguardo@libero.it
Nella foto sono con Sabino, Grande Maestro Huni Kuin, Amazzonia.
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