A cura da floresta

Texto: M. Villone. Fotos: L. Urani. Tradução: Tiziana Francescon.

Versione in portoghese dell’articolo sul blog di Mauro Villone de Il Fatto on-line

Curandero Indio (@lidiaurani)

Curandero Indio (@lidiaurani)

Ao longo da última década, o foco em culturas indígenas no Brasil está aumentando constantemente. Etnias são centenas, mesmo se eles estão sob algumas dezenas de ascendências principais. Dois troncos linguisticos, com famílias diferentes. Algumas famílias de línguas que não pertencem a estes dois troncos e varias populações para um total de 896.917 pessoas (fonte: FUNAI – Fundo Nacional Indígena, do Governo Federal – 2010), menos de 0,5% da população total, localizadas principalmente nas áreas indígenas rurais. Para isto é preciso acrescentar um número pequeno, desconhecido é claro, de tribos isoladas. Em geral um número relativamente baixo, mas importante por várias razões. A população inicial do ano 1500, antes da invasão dos europeus, é hoje estimada pelos demógrafos e etnógrafos em cerca de três milhões de indivíduos.
Enquanto, por um lado, em algumas áreas eles são perseguidos por latifundiários, pecuaristas e agricultores, muitas vezes apoiados pela polícia, por outro estão protegidos pela Funai e seguidos pelo governo federal. A situação é complexa, em rápida evolução mas está lentamente piorando, por várias razões.
O primeiro problema prático é a destruição da floresta, para que, naturalmente, os índios estão se opondo, e isso cria uma situação de confronto violento com os proprietários de terras. Confrontos que resultam às vezes na morte de ativistas indígenas, conforme relatado anteriormente neste blog. A destruição da floresta não é apenas devido a isso, mas também ao agravamento das condições meteorológicas e do ambiente geral, que está criando secas e desequilíbrios de vários tipos. Dano cultural e ambiental para todos, mas para os índios uma verdadeira ameaça para a sobrevivência pois as espécies vegetais e animais, fonte de sustento graças à caça e à coleta, estão em sério declínio.
Este é o panorama, mas há um outro aspecto muito serio. Ou seja a atenção de alguns ramos das instituições e de grupos de estudo, editores, antropólogos, assistentes sociais e culturais, etno-botânicos, farmacologistas. Isso está acontecendo porque, além das dificuldades objectivas e da secular contaminação cultural, muitos índios têm mantido fortes tradições e sabedoria antiga, enquanto outros estão se reaproximando delas. Juntos com esses últimos, como já mencionados, muitos grupos e acadêmicos interessados em dois aspectos em particular: o conhecimento de ervas e plantas e a visão do mundo, muito peculiar e com uma forte conotação espiritual. Espiritualidade que se manifesta não apenas na teoria, quanto também no modo de viver o dia a dia, onde nada é banalizado e tudo assume um sentido sagrado e significativo.
Apesar de representar uma pequena minoria, o sentimento de muitos é que eles são portadores de uma grande força e de um conhecimento antigo, que, principalmente no momento terrível da história que estamos vivendo no Ocidente, poderia se tornar muito útil para o futuro da humanidade. Em particular, o que eles parecem conhecer e viver muito bem são no final das contas as relações: entre os seres humanos, com o ambiente e com o infinito.
As pessoas comuns, mais ou menos estudiosas e preparadas, compartilham esses sentimentos com varios grandes pesquisadores. Entre eles, apenas como exemplo, Richard Evans Schultes e Albert Hofmann. O primeiro morreu em 2001, o segundo em 2008. O primeiro foi um professor de etnobotânica em Harvard. Hofmann descobriu o LSD, e foi um membro do Comitê de Nobel, da Academia de Ciências do Mundo, da Sociedade Internacional de Pesquisa sobre Flora e da Sociedade Americana de Farmácia. Juntos, eles publicaram o livro “Botânica e Química dos alucinógenos”, em 1983, onde eles integraram as informações interdisciplinares a nível internacional sobre alcalóides psicoactivos, desde as culturas primitivas até os tempos modernos.
Já, os alucinógenos. Existem apenas 120 espécies de alucinógenos para cerca de 600 mil espécies de plantas, com uma concentração inexplicável no Novo Mundo, e em ambos os hemisférios muitas plantas alucinógenas nunca foram usadas como narcóticos. De fato, os índios usá-las como plantas sagradas e para o que eles chamam de “caminho encantado” ou “vôo mágico”.
Com certeza não é a única maneira em que os índios usam as plantas, que lhes servem de alimento, se decorar, fazer arte, produzir ítens, vestidos, agradecer o universo e a mesma natureza. E aqui chegamos ao que é talvez o aspecto mais profundo e interessante da sua natureza, a capacidade de ver o mundo como uma obra de arte divina e harmoniosa. Ou seja um “jardim encantado”.
Entre aqueles que estão interessados em aprofundar esta visão se encontram artistas, pesquisadores, escritores e editores. Entre estes últimos Anna Dantes, do Rio de Janeiro, que conseguiu, com sua equipe, arrecadar fundos para realizar um livro extraordinário: “Una Isi Kayawa”, o Livro da Cura, em que pela primeira vez na história estão listadas, juntamente com contos cosmológicos e mitológicos, centenas de ervas e plantas úteis para curar várias doenças. O livro, que apresenta a farmacopeia dos Huni Kuin, povo de fortes tradições do Acre (Amazonas lado sul fronteira com o Peru), foi produzido com o apoio do Governo Federal brasileiro e em cooperação com várias universidades do país e pesquisadores do Jardim Botânico do Rio, um dos mais prestigiados do mundo.
O projeto ganhou há poucos dias o terceiro lugar do prestigioso “Jabuti” para a Ciência da Natureza e do Ambiênte e da Matemática, conferido pela Câmara Brasileira do Livro.
Está em obra um segundo volume, envolvendo uma vez mais, junto com o povo Huni Kuin, etnobotânicos, cientistas, pesquisadores, designers gráficos, fotógrafos, cineastas e grandes artistas brasileiros como Ernesto Neto (do qual falarei em breve ).
Eu já tinha discutido deste assunto nestas paginas, mas eu estou propondo novamente. A minha intençao é fornecer futuramente um estudo mais aprofundado, porque eu acredito que parar um momento e olhar para trás, com a ajuda de alguns sobreviventes, pode ser de grande benefício, se não for para superar, pelo menos, para dar um valioso contributo para enfrentar o difícil momento histórico em que nos encontramos.

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Gli Uomini-giaguaro

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Testo: Mauro Villone – Foto: Lidia Urani

La cortese domanda di un’amica su Facebook mi ha indotto a scrivere questo breve post per spiegare cosa stiamo facendo a Rio.
Il nostro centro Para Ti, oltre ad essere destinato a dare amore, rifugio, educazione e sostegno a bambini dai 5 ai 12 anni che abitano in povertà nelle favelas, lo abbiamo fatto diventare un laboratorio culturale per tutti, nel quale si intrecciano esperienze di viaggio, volontariato, meditazione, yoga, danze tribali, pitture corporali, canti indigeni, world music, ecoturismo, antropologia visuale, fotografia, giornalismo scritto e video.
Qui si incontrano artisti, scrittori, fotoreporter, giornalisti, videomaker, tribù indigene, curanderos, volontari, gente che abita e vive nelle favelas, attori di teatro e cinema, registi, meditatori, coreografi, antropologi, viaggiatori, avventurieri, studiosi, escursionisti, subacquei, surfisti e parapendisti.
Essendo tutto il lavoro al centro focalizzato sull’espansione della coscienza accettiamo (e attiriamo) solo persone dotate di consapevolezza umana ed ecologica, interessate ad approfondire le loro vite e ad espandere le loro coscienze nel massimo rispetto di tutta l’umanità e del pianeta.
Abbiamo chiamato di nostra iniziativa questo tipo di persone Uomini-giaguaro o Donne-giaguaro. Non si tratta di una categoria, un gruppo o un’etichetta. È semplicemente un modo di dire degli indios che ci piace molto e che abbiamo fatto nostro.
Gli indios brasiliani parlano spesso di donne-giaguaro o uomini-falco, tanto per fare un esempio, poiché per loro è normalissimo associare un certo comportamento umano in armonia con l’universo e la natura a quello di un qualche animale. Una delle strade sciamaniche più percorse è quella che porta alla natura e al mondo animale. Gli sciamani cercano di DIVENTARE come animali, poiché gli animali, indipendentemente dal fatto che pensino e ragionino o meno, “SANNO”. Ogni persona, anche se non è consapevole (e la stragrande maggioranaza degli urbanizzati ne è del tutto all’oscuro, anche se ha un cane o un gatto in casa) ha uno o più animali-totem. Spiriti guardiani che hanno un legame con egli e che lo guidano nell’altromondo, gli insegnano, lo mettono alla prova, gli danno forza, amore ed energia. Una persona può trasformarsi in donna-giaguaro, uomo-falco o qualsiasi altro animale. Può abbandonarsi al potere del serpente, all’amore di un’orsa, alla libertà di un condor.
Gli Uomini-giaguaro è un nostro modo di dire per indicare persone che hanno consapevolezza di essere centri energetici immersi nell’universo e nella natura e di dover lottare per salvaguardare la Madre Terra e tutto quello che ci sta sopra, dentro e attorno. Si tratta di persone qualsiasi, né superiori né inferiori alle altre, che non è detto debbano avere la vernice sulla faccia e i fiorellini in testa, ma che, più o meno consciamente, hanno deciso di combattere per arrivare a godere a fondo di ciò che è normale: l’amore, la solidarietà, la condivisione, la bellezza, la coscienza cosmica, la profonda essenza mitica della Vita.

L'autore con Ari-tan, capo di un gruppo di Fulni-o. Mio pittore corporale, artista e danzatore al quale offro la mia più profonda gratitudine per avermi fatto scoprire il mio grido di combattimento.

L’autore con Ari-tan, capo di un gruppo di Fulni-o. Mio pittore corporale, artista e danzatore al quale offro la mia più profonda gratitudine per avermi fatto scoprire il mio grido di combattimento.